30 janeiro, 2004

Estou sem tempo pra escrever sobre as personagens que definem a escrotidão humana. Então vamos logo partir pra ignorância. Pra variar, não sei de onde foram tiradas as pérolas que se seguem. Quando eu descobrir, prometo que conto, tá?

Sexóloga responde dúvidas (com respostas adequadas).

1) Tenho 20 anos e não transei ainda porque gostaria que a 1ª vez fosse com um namorado fixo. O que você acha?
R: Minha 1ª vez também foi com um namorado fixo. Eu o amarrei na cama.

2) O que fazer para surpreender um namorado tímido na primeira noite?
R: Apareça com um amante.

3) Tenho um amigo que quer fazer sexo comigo..mas ele tem um pênis de 24 cm. Acho que vai ser doloroso, o que fazer ?
R: Manda pra cá que eu testo pra você.

4) Como faço para seduzir o rapaz que eu amo?
R: Tire a roupa.

5) Terminei com meu ex porque ele é muito galinha e agora estou com outro.Mas ainda gosto do ex e às vezes ainda fico com ele! O que devo fazer?
R: Quem era mesmo galinha nesta história?

6) Quero saber como enlouquecer um homem só nas preliminares.
R: Mostre umas fotos de umas BMW.

7) Como enlouqueço meu parceiro em uma transa no banheiro?
R: Já usou desentupidor de pia?

8) Como conquistar um homem que tem namorada?
R: Pegue os dois logo. Gente complicada.

9) Saí com um gatinho e foi ótimo. Só que agora fico com o maior medo de ligar pra ele. Será que devo?
R: Depende. O gatinho sabe cagar na caixa de areia?

10) Eu tenho 18 anos mas adoro brincar de bonecas com a minha irmã de 2 anos. Tambem entro na net e não canso de ver  cenas de sexo. O que eu faço?
R: Passe numa sex shop e compre um boneco inflável de boas proporções.

11) Sou feia, pobre e chata. O que devo fazer para alguém gostar de mim?
R: Ficar bonita, rica e ser legal. Obviamente.

12) O cara com quem estou saindo é muito legal, mas está dando sinais de ser alcoólatra. O que eu faço?
R: Não deixe ele dirigir.

13) Porque, na hora do sexo, quando a gente está no vai e vem, na hora que o corpo entra em atrito, faz aquele barulho de quem esta batendo palmas?
Porque nessa hora a gente fica mais excitado?
R: É porque parece que tem torcida, tá ligado? Da próxima vez grite pra galera.

14) Eu não tenho uma cara propriamente linda, apesar de ser normal e não ser feia. O que mais atrai os rapazes é o meu corpo. O que fazer para conseguir comer alguns gatos, tendo em conta que tenho 13 anos?
R: Nesta idade você tem que comer Sucrilhos, entende?

15) Tenho 28 anos e sou virgem, não aguento mais esta situação. Como mudá-la o mais rápido possivel?
R: Está em Manaus? Vá à Getulio Vargas, de madrugada. Leve uns R$ 50.

16) Sou virgem e rolou, pela primeira vez, de fazer sexo oral. engolindo o negócio e quero saber se corro o risco de ficar grávida. Estou desesperada!
R: Claro que corre o risco de ficar grávida. E a criança vai sair pela
orelha.

17) A primeira vez dói? Qual a melhor posição para a menina na primeira transa? Tenho 21 anos e ainda não transei porque tenho medo de doer e não aguentar.
R: Dói tanto que você vai ficar em coma e NUNCA mais vai levantar. Vê se deixa de ser fresca, ô Cinderela.

29 janeiro, 2004

Vasculhando minhas gavetas, achei isso aqui, que ganhei logo ao chegar na agência. Relendo, seis meses depois, comprovo que assim mesmo.

Amazonês.
Pessoal, olha aí o nosso Amazonês!
Como ocupar o lugar similar ao de um amazonense típico?
Mais especificamente, como se passar por um "nativo"? Há algumas pistas.
É claro que são pistas generalizantes, que há exceções para mais ou para menos, como nas pesquisas eleitorais. Mas vamos a elas.
Primeiramente, você tem que treinar falar com as pessoas pegando nelas.
No braço, no ombro, no cotovelo. Mas tem de pegar. A linguagem corporal é tão importante para o amazonense quando o descanso o é para o baiano e a desconfiança para o mineiro. Beijinhos de cumprimento são sempre dois.
Os paulistas têm de aumentar um e os gaúchos têm de reduzir um. Isso pode causar uma série de beijos órfãos no ar para aqueles que estão em fase de adaptação. O pegar e o beijinho do amazonense não devem ser entendidos, grosso modo, como invasivos, mas como parte mesmo de sua enunciação, parte do sentido do dizer.
Outra coisa: amazonense aponta com a boca. Pergunte a um amazonense onde está algo e ele, muito provavelmente, em vez de levantar a mão e apontar, fará um biquinho em direção à coisa procurada. Aliás, um biquinho não, um beicinho.
Amazonense bom mesmo, típico, é aquele que não respeita sinais de trânsito.
Faixa de velocidade, então, vixe! Nem pensar. Muitos até fazem da faixa uma espécie de guia para centralizar seu carro, como fazem os aviões.
E vá tentar andar na faixa? Você é considerado o pior motorista do mundo, com direito a olhares feios e até alguns xingamentos. Por outro lado, se seu carro quebrar, logo aparecem muitos amazonenses querendo dar uma mãozinha.
Amazonense é solidário. Muito. Pergunte e ele responderá. Peça e ele
lhe ajudará. Dê trela e ele grudará.
O amazonense é muito caloroso. Não só pelo calor que faz em Manaus, mas porque facilmente puxa papo e se integra a um grupo. Basta uma possibilidade de entrada na conversa e..zapt! estamos dentro, na maior intimidade. Isso pode causar certo choque para as pessoas do sul e sudeste, mais reservadas no assunto amizade. É mais difícil "aprochegar-se" em São Paulo do que em Manaus, definitivamente. Mas há doces exceções.
Noves fora essas questões de relacionamento, há a questão da língua mesmo.
Algumas palavras e expressões que realmente levam algum tempinho para que sejam dominadas e internalizadas. Seguem abaixo algumas palavras e expressões típicas com suas explicações e comentários.

ÉGUA - Égua pode ser usado em várias situações. Tomou um susto:"égua!"
Alguém faz algo que você não entendeu: "égua..."
Uma situação estapafúrdia?
"Éééguaa, maninho..."

QUE SÓ - Locução adverbial de intensidade, similar a "pra caramba".
"Hoje está quente que só". "Ela é lesa que só". "A sala estava lotada que só."

LESO (A), LESEIRA - Um leso é alguém que sofre de leseira. Leseira é um abestalhamento momentâneo que acomete o leso. Se a leseira for uma característica contínua, dizemos que o leso sofre de leseira baré.
Segundo cientistas da Universidade de Kuala Lumpur, a leseira baré ocorre entre os amazonenses devido ao sol quente na moleira, que frita o cérebro e queima alguns neurônios. Temos ainda as expressões derivadas: "Deixa de ser leso!" e "Pára de leseira!". Mas como tudo tem seus dois lados, dizem que o sol também causa nos amazonense algo chamado tesão de mormaço.
Auto-explicativo.

AGORINHA - Diferentemente do uso no sudeste, agorinha quer dizer "há alguns segundos", referindo-se ao passado e não ao futuro. "Ela estava aqui agorinha, mas sumiu".

OLHA JÁ! - Expressão de indignação correspondente a "Mas que abuso!".
"E aí, gata, me dá um beijo?" "Mas, olha já esse aí...Te manca!"

MANO(A) - Tratamento carinhoso entre conhecidos ou não. Muito usado para fazer perguntas e pedidos. "Mana, faz um favor pra mim". "E aí, tudo bem, mano?"

PITIÚ - Cheiro. Geralmente associado a peixe. "Tá sentindo um pitiú danado aqui?"

BORIMBORA - Vamos embora. "A gente não tem mais nada a fazer aqui. Borimbora!"

COM BORRA (E TUDO) - Com tudo. Expressão de alopro. "Ela estava aprendendo a dirigir. Foi entrar na garagem e pisou no acelerador ao invés de pisar no freio. Aí entrou com borra e tudo na garagem, arrebentando o carro todo.

TEM MIL! - Expressão que significa indignação. "O chefe disse pra tu
fazeres o relatório sozinho". "O quê? Sozinho? Tem mil pra eu fazer!"

MAS QUANDO? - Ver "Tem mil!"

FICAR DE BUBUIA - Ficar sem fazer nada, ficar flutuando na água. "E aí, Zé, nadando um pouco?" "Não. To só aqui de bubuia um pouquinho".

BATORÉ - baixinho (a). "Procura por ele lá. Ele é um batorezinho gordo que fica no portão".

MACETA - Grande, imenso, de proporções anormais. "Eu disse que ia lá brigar com ele e quando eu olhei o cara era macetão. Saí fora..."

RECREIO - Barco. "Que horas sai o recreio para Eirunepé?"

QUERIDA - Cuidado! Esse é um falso cognato. O uso da palavra "querida" aqui em Manaus denota um certo sarcasmo ou uma certa ironia. "Escuta aqui, minha querida. Eu sou a mulher dele, entendeu?" "Você não está entendo, querido. (= você é burro!)"

PINCHA - Tampinha de refrigerante. Mas só as de metal. Já meio raras.
"Cadê a pincha do guaraná? É que eu faço coleção".

CARAPANÃ - Pernilongo. Só que mais chato e mais chupador. Termo
indígena para "lança voadora", segundo a lenda urbana.

DE LASCAR - Indica intensidade. "O sol está de lascar". "A prova foi
de lascar."

MALINAR - Reinar, fazer malvadeza gratuita, como por exemplo beliscar um bebê porque ele é muito fofo. "Ele é tão fofinho que dá vontade de malinar com ele".

MEU GRANDE - Tratamento para desconhecidos. Pode ser utilizado
intercambiavelmente com "mano". "E aí, meu grande. Tudo bom?". "Fica de olho aí no meu carro, falou, meu grande?"

ERAS... - Usado para momentos de perplexidade. "Eras...deixei meu
carro aqui...cadê ele?"

MÁ RAPÁ - O mesmo que "Olha já!". "Me empresta teu carro?" "Má rapá! Claro que não!"

Enfim, meu grande, são essas algumas palavrinhas e expressões que vão dar ao forasteiro um sentimento de pertença ao social amazonense. Como nós somos muito solícitos, mano, eu resolvi então escrever esse texto. Mas chega de falar leseira. Égua! Vou descer e vou tomar um banhinho de piscina. E, com certeza, vou ficar de bubuia. Tem mil pra eu ficar aqui escrevendo com um sol de lascar desse lá fora. Má rapá....

(autor desconhecido)
Ela chegou.
Manaus nunca mais será a mesma.
Iremos abalar as estruturas da cidade. Creio que literalmente.
Liginha, a pateta mor, está em terras manauaras.
Ainda não a encontrei. Talvez a gente se encontre no final de semana. Não sei, não sei, tenho que resolver o pobrema do meu chuveiro. Prioridades, Jamanta!
Pensando bem, o chuveiro pode esperar.
Não vejo a Liginha há 3 anos. E agora ela está aqui.
Sou feliz. Sou feliz.
Acidente de percurso.
Ontem, por algumas horas, este Ventilador ficou de template exposto. Um vexame. Juro que a cagada não foi minha. Sei de quem foi, mas não conto nem sob tortura.
Tudo certo, por enquanto. Eu disse por enquanto.

28 janeiro, 2004

Alô, som... testando.
Sorry. Uma jamantadazinha básica.
Preciso me lembrar de escrever mais alguns capítulos sobre a escrotidão humana.
Cê não tem idéia das coisas que ando ouvindo por aqui.
Tenho andado mais abestalhada do que o normal, ultimamente.
Deve ser a falta de chuveiro quente. Só pode ser.

26 janeiro, 2004

Ai, ai. Cá estou a deslapidar-me.

23 janeiro, 2004

A melhor do Joãzinho. :O)

A professora divide a classe em dois grupos e decide fazer uma disputa de
perguntas.
 
Para que Joãozinho não lhe encha o saco, ela o coloca no grupo dos
inteligentes.
Aproveitando-se disso, ele grita para o outro grupo:

 - Nós vamos arrasar com vocês, cambada de idiotas !!!
 
 Começa a disputa...

 - Quem descobriu a América?
 
 O grupo de Joãozinho responde:

 - Cristóvão Colombo!
 
 E o Joãozinho grita: Eu não falei? Bando de orelhudos, 1 a 0!!!

 A professora lhe repreende:

 - Cala a boca Joãozinho!!!

 Segunda pergunta:

 - Que idioma se fala na Espanha?
 
 O grupo de Joãozinho responde:

 - Espanhol, fessora!!!!
 
 E o Joãozinho:

 - Viram só? Seus filhos duma égua, 2 a 0 !!
 
 A professora lhe repreende:
 
 - Cala a boca Joãozinho!!!

 Terceira pergunta:

 - Como Cristóvão Colombo chegou à América?

 O grupo de Joãozinho responde:

 - Nas caravelas.

 Joãozinho, emocionadíssimo, disse:

 - Eu bem que avisei, seus sacos de merda, 3 a 0!!!

 A professora, de saco cheio, grita:

 - Joãozinho!!! Levanta e sai, porra!!!

 Joãozinho responde de imediato:

 - O pênis, fessora! Show! 4 a 0 seus babacas !!!

 A professora indignada volta a gritar:
 
 - Joãozinho, sai e não volta mais !!!

 Joãozinho contente responde:

 - O cocô, professora. Hahaha, se ferraram, 5 a 0 !!!
 
 A professora, não agüentando mais, grita:

 - Joãozinho, SAI E NÃO VOLTA DENTRO DE UM MÊS!!!
 
 Joãozinho, feliz da vida, responde aos berros:
 
 - A MENSTRUAÇÃO!!! PUTA QUE O PARIU, 6 a 0 GANHAMOOOOOOOSSS !!!

21 janeiro, 2004

O Processo Involutivo.

Nesta agência ocorre um fenômeno interessante com todo mundo que chega, especificamente neste departamento.
A tese parece complexa, mas hoje entendo que é bastante simples. Elementar.
As pessoas começam a trabalhar aqui como diamantes lapidados: finas, educadas, intelectualmente requintadas e com um vocabulário de gente do bem. Com o passar do tempo, sabe-se lá a razão, começam a deslapidar-se (perdão pelo neologismo).
O diamante começa a ficar embaçado. Vai embaçando, embaçando, involuindo, involuindo e quando a gente se dá conta, virou um toco de carvão. E, dizem, é irreversível.
Veja o meu caso, por exemplo. Ontem, passei por uma avaliação. A equipe concluiu que já estou em avançado processo de involução: uma metade, apenas um diamante tosco. A outra, já é um carvão da melhor qualidade.
Eu tô vendo acontecer o mesmo com a revisora, que está conosco há 5 meses. É verdade.
Você pode pensar que estou imaginando coisas. Não, são essas vozes na minha cabeça.
Diálogos meigos (o povo ainda mangando da minha franja)

- Emília.
- Não enche
- Rita Lee
- Ora, vá-te à porra.
- Glória Perez.
- Ó, não sabe brincar, não brinca, tá? Bruto.


Hoje, 21 de janeiro, este Ventilador completa 3 anos e eu, 6 meses nesta agência de loucos-de-pedra.
Por uma coincidência intrigante, o Ventilador nasceu inspirado num blog famoso, na época recém-nascido. Anos depois, vim desabar em Manaus, em parte, por obra dessa mesma criatura. Coisa do capeta. Na hora do almoço, irão instalar meu telefone. À noite, vou fazer um 21. Saudades da Olívia e da Ciça-Mãe.

20 janeiro, 2004

Mantenham facas, tesouras e colheres de sobremesa fora do meu alcance, por favor.
Muito agradecida.

19 janeiro, 2004

Ai, a mudança.
Ainda estou em fase de adaptação à nova casa. Este final de semana foi a prova de fogo.
Saí pra comprar material de limpeza pra faxina pesada. Voltei pra casa com aquele bando de sacola, vassoura e rodo. Elevador parado no 10o andar.
Não, Senhor, imploro, com vassoura e rodo, não. Por favor.
O elevador descendo e eu rezando: Não pára, não pára, não pára.
Passou direto pro subsolo. Não parou.
Deus é pai.

16 janeiro, 2004

Chove torrencialmente na capital amazonense. Comprei um guarda-chuva. Feio que só o diabo. Mas por 5 reá é lindo.
Cortei as unhas dos pés. Sinto-me outra mulher. :O)

15 janeiro, 2004

O bonitão do 10o andar.
Aconteceu na terça. Terminada a mudança, comecei a entrar em estado de angúsita: sem copos, pratos (talheres eu tenho), travesseiro e TV. Impossível alguém viver assim. Fui ao shopping do jeito que eu estava: toda descombinando. Acabei resolvendo as compras no supermercado mesmo e voltei de táxi. Briguei com o taxista, porque o viado não tinha troco pra 10. Coloquei tudo no carrinho e, enquanto esperava o elevador de serviço, um sujeito aproximou-se lentamente. Tomei um sustão. Era surpreendentemente lindo. Estava chegando de viagem, lotado de malas e mochilas. Eu lá, descombinada daquele jeito, com a franja torta, rabo-de-cavalo, sem um pingo de maquiagem, empurrando um carrinho com um 14”, 2 travesseiros, forro de colchão e mais um monte de sacolinhas de compras prosaicas. O carrinho de supermercado mais deselegante que já empurrei na vida. O elevador chegou e ficou aquela situação meio besta. Ele, além de lindo, pareceu ser também muito educado. Soltou uma valise no chão, abriu a porta pra mim, eu agradeci, entrei e fiquei esperando ele fazer o mesmo (por que eu fui cortar minha franja? Droga). Gentilmente, perguntou se tinha lugar pra ele (mas é claro, meu filho, se não tiver a gente arruma). Ajeitei-me espremida entre o carrinho e o painel do elevador. Como gentileza se retribui com gentileza, me ofereci pra apertar o botão.
- Qual andar?
- 10o
(ai, isso vai dar merda)
A porra daquele elevador é lerdo que só. E aquele silêncio constrangedor pairando (merda, a unha do meu dedão do pé tá suja). Minha visão periférica (aquela que o Toni Ramos perdeu na novela, naquele tiroteio no Leblon) é bastante apurada e eu, um pouco envergonhada, notei que ele estava rindo, olhando pro meu carrinho. (puta merda, Julia Roberts chegaria em casa com um lindo saco pardo lotado de hortaliças frescas, um maço de flores do campo e eu assim, na lama)
O segundo andar chegou. E eu avisei pro cês que ia dar merda. Eu estava prensada e não tinha como sair, por conta das malas do felino. Fui obrigada a lançar um olhar de súplica. Ele sorriu. (não é um encanto?)
- Notou a Lei de Murphy? (nossa, ele tem uma conversa tão diferente dos outros rapazes).
- Juro que eu pensei nisso. (eu tinha pensado mesmo) ... Foi falta da gente combinar, né?
- Eu devia ter perguntado antes. (não se culpe, lindinho, eu que sou uma lesa)
Pois o pobre teve que arrastar todo aquele bando de mala pra fora do elevador, segurar a porra porta, esperar eu conseguir me desenroscar do canto que estava, manobrar o carrinho e sair. Tropecei na mochila. Pedi desculpa. Ele riu.
- Deixa que eu seguro a porta pro cê.
- Valeu. Boa noite pro cê.
- Noite.
E antes de empurrar o carrinho, olhei pelo visor da porta. Ele tava olhando pra mim. E provavelmente, pensando: essa louca tem franja torta, unha do dedão suja e faz compras estranhas. Bela imagem.
Desovei tudo em casa, abri uma cerveja e fui pra varanda pensar nas lições de vida daquele dia.
Acabei por concluir:
1- Preciso urgentemente dar um jeito na casa.
2- Nunca mais devo sair de qualquer jeito na rua.
3- Elegância, Jama, elegância.
4- Comprar uma burca não é um plano totalmente descartado.
O segundo andar.
Mudei na terça-feira. O 208 está um pardieiro e não vejo muito jeito de melhorar aquela coisa, a curto prazo.
O caos está instalado. Todas as minhas roupas estão no sofá da sala e não sei o que está aonde. Esqueci de comprar cabides. Agora, ficou pra sábado. Não tem esquema. Francamente, eu me recuso a pagar R$ 6,00 por um jogo de 3 cabides. No centro da cidade deve ser mais barato. Mas a TV eu já comprei. Comprei e não instalei. Deu pobrema no cabo da antena, sãb? Os burros cortaram o cabo e deixaram só o cotoco. Tenho que comprar uma extensão. Por falar nisso, seria de bom alvitre eu providenciar uma linha telefônica. Estou incomunicável. Sem campainha e sem companhia. Ora, tenham compaixão.

12 janeiro, 2004

O fusca 77.

Já tá tudo certo. Ele continua à venda e vai ser nosso.
Eu, a Beth e a Claudia vamos comprar um fusca, em sociedade. Será o nosso grito de libertação. Poderemos ir a qualquer lugar, sem depender daqueles seres cruéis e ignorantes. Poderemos almoçar em lugares decentes e nunca mais teremos que comer aquela lavagem de porco que servem aqui na esquina. E também vamos nos matricular numa academia. Ficaremos ainda mais poderosas.
E eu vou fazer musculação. Em 2004, serei uma Fratura Exposta sarada.

Mantenham facas e tesouras fora do meu alcance, por favor.

09 janeiro, 2004

O massacre da tesoura.

Acordei endiabrada, juntando as coisas pra mudança, na correria. Os prazos sempre me atormentam. Arrumando as coisas da pia do banheiro, dei de cara com uma tesoura. Ueba. Eu me olhei no espelho e vi que o soco que dei no Fred tinha sido injusto. A caricatura que ele fez de mim tava igualzinha. Eu era um sheepdog.
Então, danou-se. Um estrago federal na franja. Irreversível. Indisfarçável. Fo-deu.
Prendi o cabelo, botei força na peruca e fui enfrentar os leões selvagens.
A princípio, ninguém percebeu. Os leões demoram a despertar.
- Má rapá, que cê fez nessa franja?
Pronto. Armou-se a parada. Cinco em volta de mim, dando palpite.
- Puxa pro lado.
- Corta o outro lado, que ficou torto.
- Puxa pro outro lado, assim.
- Até que não ficou tããão torto.
- Joga tudo pra trás.
- Se mata, sua burra.
Quando me dei por si, a menina do tráfego tava com a tesoura do chefe na mão, tentando arrumar o estrago e a revisora revisando o corte. Não teve muito acerto, não. Mas eles bem que me deram apoio. Vocês sabem, o lado psicológio conta muito nessa hora.
A única solução é comprar um frasco de xampu de Amor Crescido, uma burka e esperar a natureza fazer seu trabalho.

08 janeiro, 2004

Da Escrotidão Humana – Capítulo II


Quanto desgosto pra uma mãe.


Segunda-feira, 21 de julho de 2003. Por volta de dezoito horas depois da minha chegada a Manaus, fui jogada aos leões. Poucas coisas são mais constrangedoras do que o primeiro dia de trabalho, principalmente quando você vem de uma comarca distante.
Minha cadeira estava reservada ao lado do Fred. Sujeito de poucas palavras. Diretor de arte, sabe?
Os dias foram se passando e, observadora sagaz que sou, fui entendendo tudo.
Menino casado, pai de dois filhos, muito devotado à família. Não bebe, nem fuma. Ilustrador de mão cheia. Soube, dias depois, que aquela criatura é também um baterista. Músico de renome nas madrugadas manauaras. Um desbravador.
Sua mãe, pianista, foi por muitos anos professora de música no Teatro Amazonas. Mulher educadíssima, que tentou estimular a suposta vocação do filho para a erudição. Dela, ganhou um piano. Seu pai também alimentava muitas esperanças. Deu-lhe um violino. O primogênito recebeu educação religiosa desde a tenra infância. Dizem até que foi coroinha. Mas, desde pequeno, o safado gostava mesmo era de bater tambor. De onde se pode concluir que a escrotidão humana, assim, pura, não é resultado de herança genética ou da vontade divina.
Às vezes, é coisa do capeta mesmo.
Não houve salvação e deu no que deu: o desgraçado virou publicitário e baterista.
Então, você, pra variar, deve estar se perguntando: e daí? Deixa o pobre tocar zabumba.
Mas, ele é baterista de grupo de pagode, meus amigos. Pagode. Veja que desgraça pra uma familia de gosto musical tão apurado.
Outro dia, arrisquei matar minha curiosidade:
- Frederico, sua mãe não morre de desgosto, não?
- Ela se nega a tocar nesse assunto.
Num disse?

07 janeiro, 2004

Os meninos podem me jurar que esse diálogo existiu de verdade:
- O senhor tem pé-de-galinha.
- E a senhora tem cara de puta.
Ai, ai, que saudades de casa...

Passatempo ou perda de tempo?
Uns dias antes de viajar, montei 2 CDs de presente pra Oli. Selecionei músicas que me fazem lembrar dela, sorrir, ou morrer ainda mais de saudades. Acho que ela gostou da idéia.
Desde que voltei, tô criando uma porrada de arquivos especiais pra um monte de gente que eu gosto, gente que conheço de longe e até pra gente que eu quero esquecer. Talvez um dia, virem CDs bucaneiros. É divertido.
Adotei o esporte.

06 janeiro, 2004

Amanhã, logo cedinho, vou buscar a chave do meu novo pardieiro.
Dá um certo frio na barriga.
Até hoje na vida, só aluguei fitas de vídeo, um vestido pra um casamento e a paciência dos amigos.
Overdose de Joe Coker, nos últimos dois dias.
Isso significa que tenho ouvido quase nada de The Verve.
Pode ser um bom sinal.

05 janeiro, 2004

Apelidos que eu ganhei por aqui: Magrela, Bicicleta, Fratura Exposta.
Não é pra encher de porrada?
Alguém me acuda. Estou, literalmente, devorada por formigas.
Primeiro final de semana do ano e eu não fiz porra nenhuma.

02 janeiro, 2004

A pergunta que não quer calar é: quando Os Delírios de Consumo de Becky Bloom vai virar filme, hein?
Comecei a ler Férias! Da mesma autora do abominável Melancia.
A história até que é divertida, mas aquela mulher escreve mal pra caralho. Sem sacanagem.
Tá, tá. Eu impliquei com o Melancia. Foi um livro que peguei numa fase péssima da minha vida. Tinha acabado de levar o pior pé na bunda que a humanidade teve notícia e o tema não era nada confortável. Parei na metade. Férias! é engraçadinho. Nada mais que isso.
Tive um reveillon diferente. Sem lentilhas, uvas ou ondas pra pular.
Nenhum ritual. Dormi e acordei no ano seguinte. Pensando bem, talvez isso mude a minha sorte. O a falta de.
George Clooney nem deu sinal de vida. Bosta.
Antes que eu me esqueça: Dona Ale Ber, sua batata já assou e torrou. Fui clara? Hunf!

30 dezembro, 2003

Circulamos pela cidade com o dia amanhecendo e me dei conta de como a minha cidade é linda ao crepúsculo. E, como eu sempre digo, nada como estar acompanhada de um boêmio de boa cepa.
Uma casa de pães, nos Jardins, foi a próxima parada. Chopp, é claro.
Quando já se começava a discutir a opção sexual de Papai Noel, achamos por bem pegar o caminho da roça.
Eu ainda tinha guincho e mecânico pra encarar.Voltamos pra Charles Miller.
Meu amigo, gentleman que é, ainda queria me acompanhar até o mecânico. Era um esforço desnecessário.
Despedidas sempre são chatas. Particularmente, eu as odeio.
Tive que seguir meu rumo. O dia estava apenas começando.

Seguimos meio que sem rumo até chegarmos ao bar do Estadão, que eu ainda não conhecia. Fauna variadíssima: travecos, putas e desocupados em geral. Aprendi tudo sobre a produção de pernil de porco assado, especialidade daquele estabelicimento familiar. Lugar divertido, mas barulhento. Nada é perfeito. Umas 4 cerpinhas depois, estávamos em busca de um novo abrigo etílico. Difícil encontrar cerveja gelada depois das 5 da madrugada. Juro que não entendo a razão.
Seguimos pra Vila Madalena. Mais chopp e conversa fiada.
- Vocês vão querer mais alguma coisa? Estamos fechando a cozinha.
- Pode fechar a cozinha. Só não pode fechar o chopp.
- Também estamos fechando, senhor.
Veja que modo mais elegante de se mandar um cliente pro olho da rua.

Paramos numa padoca e pedimos uma ampola pra abrir os trabalhos. Só tem lata ou chopp. É. Não há mais padarias como antigamente por aqui.
O tempo passou rápido e fomos gentilmente expulsos do recinto. Fechamos o primeiro negócio da noite.

E assim começou a nossa maratona noturna:
- O carro tá aquecendo.
- Tem água?
- Grrrr. Tem.
- Deixa eu ver. Sim. Fez bolha no radiador. Tem que sangrar a mangueira.
- Entendo... mas, não é melhor a gente tomar uma e depois chamar o guincho? Bora?
- Tem guincho?
- Tem
- Com socorro mecânico?
- Acho que sim.
- Então, bora.
- Bora.

Finalzinho de tarde. Preguiça na medida certa. Tinha deixado recados e enviado mensagens a um amigo que eu queria muito, muito reencontrar. E não é que ele me ligou? Ueba.
Lá fomos eu e Cascão pra Vila Madalena. O bicho começou a pegar logo ao sair de casa, quando me dei conta de que eu não tinha a menor idéia do trajeto Jaçanã/Vila. Escolhi um caminho burro. Quase absurdo. Mas era o mais garantido. Então fui. Ainda em Santana, a bomba: termômetro avisando superaquecimento no Cascão. Merda.
Parei num posto de gasolina. Tinha água no radiador, nem vem.
O sujeito jogou mais um pouco, só pra garantir e mandou eu seguir viagem.
Tudo parecia normal. Atravessei o Campo de Marte (ó o perigo) e quando estava no início da Pacaembu, a bosta do termômetro acendeu de novo. Avenida escura e deserta. Comecei a achar que eu estava mesmo em sérios apuros. Forcei o carro até a banca da Charles Miller. Foda-se.
Era o mais seguro a fazer.
Liguei lá pro meu amigo, contando minha história triste. Ele veio me socorrer.
- Nossa, você está ótima. A Amazônia está te fazendo muito bem.
- Deve ser o ar puro.
- Você e sua filha estão muito parecidas. Parecem irmãs. (Menos, doutor, menos).
- Tó. Trouxe pro cê.
- Posso abrir?
(não, Pedro Bó) – Muita parcimônia ao beber isso, entende?
- ???? (ele é meio burro, às vezes, não repare)... Voltou pro seu namorado? Aquele.
- Não. Game over. Tô solteríssima.
- Isso é bom. (bom pra quem, misifio?)
- Em setembro, teve um congresso nacional de veterinária, lá em Manaus. Lembrei do cê. Andei pelas ruas, prestando atenção. Pensou se a gente se encontra?
- Em janeiro eu vou pra lá. Como eu faço pra te encontrar?
- Anota aê. O prefixo é 92.
Será que ele pensa mesmo que eu acredito? Tolinho.

Sexta-feira. Dia de ir às compras. Totalmente Becky Bloom. Foda-se. Fui uma boa menina e me lasquei um bocado, o ano todo. Eu mereço presentinhos. :O)
Rê e Oli a bordo do Cascão.
Almoço comemorativo: Rê, comportadíssima, atacou as saladinhas do Viena, a Oli, de pizza Hut e eu, de camarão com shitake, casquinha de siri e um balde de chopp (ataquei um teco da pizza também). Bom pra diabo.
Oli precisava comprar uma calça e eu, tudo que fosse possível. Nenhuma calça me serve mais, não agüento ver minhas blusas e tem o enxoval pra minha casa nova. Ai, minha Santa Edwiges.
Sem muita inspiração, comprei só um jeans e dois jogos de lençóis. Pausa pro café. Tava precisando mesmo tomar uma caneca gigante de capuccino e colocar parte das fofocas em dia.

Antes da meia-noite e depois da pizza, sucumbi ao cansaço. :O)
Foi difícil adormecer. Bombardeio na vizinhança. Gritaria da molecada na rua, até altas horas.
Só 4 horas de sono agitado. Mas, às 6h30 da madrugada, já estava eu de pé. Sabe criança? Era eu.
Toda saltitante, doida pra dirigir. Eu iria buscar a Oli na casa do pai dela. Ueba. Mais de 18km.
Você pode estar pensando: que bobagem.
Bobagem nada. Eu não dirigia desde 19 de julho. Tava com saudade disso também.
Se eu perdi a prática? Ora, é que nem andar de bicicleta. Acho.

O dia 23 de dezembro foi especialmente cansativo e estressante. A emoção da viagem tava inundando tudo. Saí de casa, a caminho do trabalho, logo às 7h. Fui fazer as penúltimas compras, na hora do almoço. Trabalhei até às 19h. Voltei pra casa correndo, fui arrumar a mochila (sim, tudo pra última hora), tomei banhão, me pus bela e, de bagagem nas costas, segui pra festa de confraternização da agência. Já meio atrasada, fui pro aeroporto. Mais comprinhas, porque sempre falta alguém. Embarquei às 2h30 da madruga. Conexão em Brasília. Sono. Cansaço. Como é longe essa porra. Pisei em solo paulistano às 9h30. Deu uma vontade filha da puta de chorar. Engoli o choro, apaguei o cigarro e segui pra casa da Dona Cecília. A paz voltaria a reinar. :O)

Então, eu fui lá. Mas já voltei.
Foi tudo muito rápido. Quatro dias que me soaram como 48 horas.
Não fiz metade das coisas que eu havia planejado, ao comprar a passagem.
Mas tudo o que eu dei conta de fazer foi muito bom. Eu tava mesmo precisada de carinho e atenção da família e dos amigos. Sinto-me outra, hoje.

20 dezembro, 2003

Até Deus tem dia de cabelo ruim.

Há pouco mais de duas décadas, Deus, todo atrasado nas costuras pra entregar, inventou de fazer a 8a revisão da humanidade. Tudo estaria muito bem, não fosse o fato Dele ter acordado com o pé esquerdo.
Sabe-se lá por que, baixou-Lhe um espírito de porco. E daquele dos bons: feio, sujo, malvado e zombeteiro.
Então, Ele, ainda possuído, resolveu criar um ser para testar o limite da escrotidão humana. Um protótipo. Tinha que ser um homem, é claro. Escolheu Fortaleza como cidade natal (caso não desse certo, seria facinho desovar a criatura no mar. É, Deus pensa em tudo). Para nossa sorte, Ele escolheu um casal de origem humilde, porém com caráter e bom senso para ser pai e mãe.
E, então, no ano de (sei lá), aos (hã?) de algum mês, nasceu Alessandro. Escroto até a tampa, desde criancinha. Seus pais bem que notaram, deram-lhe uma educação rígida, mas, vocês sabem, contra a vontade divina não há porrada que dê jeito.
Um belo dia, Deus, aliviado do encosto, caiu em si e viu que tinha exagerado um pouco. Concluiu que 20% daquela escrotidão toda já tava na marca pra recriar um Haggar, o terrível e ainda tinha uma reculhamba pro Angeli com seu Bob Cusp e, claro, Os Escrotinhos.
Tendo concluído seus experimentos, Ele pensou em descartar a criatura. Mas era tarde demais. Ele já havia se apegado ao menino (achava o cabra engraçado pra caralho).
Resolveu escondê-lo no mato.
Reza a lenda local que foi assim que o Alessandro desabou em terras manauaras: obra da piedade divina.
Até aí, tudo bem. Mas ele precisava dividir a estação de trabalho comigo, lá na agência, porra!
Ô, inferno.

18 dezembro, 2003

Doações à Fome Zero.
Ainda na ilusão de que eu era a feliz inquilina de um lar meio capenga, acordei de madrugada, famélica.
Enquanto esperava a água do miojão ferver, comecei a examinar o que tinha sobrando na dispensa e geladeira. Eu, sem geladeira e sem fogão, vou precisar apenas do telefone do China in Box, ora, ora.
Estava animada que só.
Resultado do inventário:
1 miojo sabor pizza, 2 de strogonoff, 2 de quatro queijos. Mentira, o de pizza eu comi.
1 caixinha de creme de leite
1 frasco de adoçante
Na geladeira, 1/2 pacote de queijo ralado Raladinho. Juro, esse é o nome dele.
3 cebolas, que quase posso jurar serem feitas de um material muito durável. Estão lá, com a mesma cara, há mais de mês.
1/2 barra de manteiga
1/2 embalagem de mini-pizza Clubinho de muzzarela
E o maldito bolinho que foi servido no vôo que me trouxe aqui.
Preciso explicar melhor essa parada do bolinho.


Tudo ainda está indefinido.
Consegui, na segunda, um ap., no mesmo prédio onde estou.
Eu tinha 95,5% de chance de morar no oitavo andar. Era baratinho, direto com o proprietário. Parecia até um presente de aniversário enviado pelo destino.
Perfeito. Mas sem mobília. Quase perfeito.
Uma cama e armários no quarto, cozinha e banheiro e só.
Posso perfeitamente viver sem sofá, geladeira e fogão. Preciso apenas de um caixote pra apoiar a TV que vou comprar de segunda mão, planejei.
Hoje, a notícia fatal: o maldito viajou, sem data pra voltar.
Tô na rua de novo. Bosta

15 dezembro, 2003

Quero agradecer todo mundo que mandou mensagens, comentários, homenagens. Thanks!
Agora, fala sério. Não há o que comemorar.
O que de fato aconteceu foi que meu plano de saúde ficou mais caro e minha carteira de motorista venceu.
Sem falar na lei da gravidade. Odeio essa lei.

12 dezembro, 2003

Ontem.
Um colega, cheio de costura pra entregar, coitado.
- Ana, mor de deus, quem canta essa música: menina, uma vez te fiz chorar. Te carregei..
- Sei, sei
- Quem canta essa porra?
- Putz. Eu sei, mas não lembro o nome do cabra.
- Tenta lembrar
- Olha, não lembro não. Mas lembro que minha tia cantava muito. Serve?
- Vá te lascar

11 dezembro, 2003

Muita calma nessa hora, crianças.
Disse que fiz a reserva, apenas por via das dúvidas.
Ainda não tive resposta se estou dispensada no dia 26.
As orações devem continuar. ;O)
Vai começar tuuudo de novo.
Talvez em homenagem à volta dos meus arquivos, voltei a brigar com a Vasp. Vocês devem estar lembrados do meu tempo de ponte aérea.
Fui tentar ver se havia vôo, fazer reserva, essas coisas.
Claro, esqueci minha senha, há tanto tempo sem uso.
Cliquei pedindo envio da dita por e-mail.
Pois voltei pra página, fui tentando, tentando, até que na 8a vez, lembrei. Foi uma recordação triste. Enfim, o fato é que fiz a porra da reserva. Confirmei e imprimi.
O e-mal com a minha senha chegou 45 minutos depois.
Tem coisas que não mudam nunca, não é?
ELES VOLTARAM!!! :O)))
Todos eles. Meus arquivinhos.
Tô feliz. Muito feliz.

10 dezembro, 2003

Vou tentar recuperar meus arquivos.
Reza aê.

09 dezembro, 2003

Atendendo a pedidos.

Essa história é antiga, já bloguei acho que ainda este ano. Mas vá lá.
Eu, em visita a Deus Grego sou surpreendida por esse primor da cantada moderna. E eu despedicei essa.
Estávamos em consulta. Raramente Deus Grego fechava a porta do consultório. Naquela tarde, não só fechou como trancou. Hum.
E deu início a uma saraivada de elogios.
- Você tá linda.
- Obrigada
- Você anda sumida.
- Não. Não tô não.
- Culpa daquele seu namorado, aposto.
- Não é.
- Você podia namorar comigo.
- Não dá. Você casou, lembra?
- Você é ciumenta?
- Nem um pouco. :O)
E então pegou a minha mão e levou-a em direçã ao seu peito
Realmente, seu coração estava disparado e notei que o bicho ia pegar. Tratei logo de fugir.
Burra.
Ele afirmou que eu seria a grande responsável por um suposto ataque cardíaco. Perguntou se eu cuidaria dele caso tivesse que ficar internado.
- Não será necessário. Ataques cardíacos em homens da sua idade costumam ser fatais. Você seria um homem morto.
- Cê é foda, mulé.
- Desculpa aê. (peguei Godzila e me mandei)
Eu fui cruel, sei disso. Cruel e burra.
E então, outro dia, sem ninguém perguntar, afirmei: o algoz que roubou minha alma levou consigo a certidão de habite-se do meu coração.
Faz um pagode aí com essa porra.
Ele é lindo. Esteticamente é um dos seres mais lindos que já vi na vida. Uma espécie de John Stamos de olhos casttanhos e sem topete. Quase capaz de deixar Geoge Clooney no chinelo. Eu disse quase.
O fato é que o homem é lindo. Lindo, lindo, lindo. Paixão à primeira vista.
Ontem, feriado aqui, liguei pra ele. Ele atendeu. Impossível não reconhecer aquela voz. E ele reconheceu a minha. Uau.
Pedi ajuda: um dono para o meu cão. Tarefa simples. Ele se recusou. Disse que dessa forma eu iria sumir definitivamente da sua vida. De certa forma ele estava certo. Já chorei muito por conta disso.
Perguntou um pouco sobre a minha vida. Eu contei. Ele lamentou a distância. Eu também. Perguntou a idade do meu cão. Seis anos. Porra, já faz todo esse tempo que a gente se conhece? Deus Grego do Céu!
Hoje, penso, fui muito burra, isso sim. Doutor Deus Grego era pra ter sido o homem da minha vida e eu deixei passar impunemente. Marujei.
Burra, burra, burra. Jamanta, Jamanta, Jamanta!!!!
Pronto. Passou.
Burra.
Vou voltar pra casa no Natal e vou passar lá pra dar um beijo. Na boca. Do jeito que ele merece. Tá decidido.
Aquela história do ataque cardíaco eu nunca esqueci. Ele é tão deliciosamente tolo. Chega a dar raiva. E eu tô sem vacina.
Chifre. Você ainda vai ter um.
Conversa que rolou por aqui, nesta semana:
- O pobrema não é o Ricardão. Não é ele quem me preocupa. A testa coça mesmo é com o tal do Josenor.
Você chega em casa e pergunta: Mas quem consertou a porta?
- O Josenor passou aqui e consertou.
- E quem trocou a lâmpada da varanda?
- Já que ele tava com a mão na massa, aproveitou e trocou. Faz tudo o Josenor. Prestativo que só.
- É, rapaz. Josenor é um perigo.
- Nem me fale...
Ai, ai, daria tudo por uma dose de querosene agora....

04 dezembro, 2003

Foi a pior TPM que a história da humanidade já teve registro.
Choro compulsivo. Impulsos homicidas. Genocídio. Mulheres, crianças e idosos não seriam poupados. Nem George Clooney.
Passou, passou.

03 dezembro, 2003

A pérola do século:
Não existe traição. O que existe é um elemento insatisfeito em busca de uma nova oportunidade.
(o autor prefere o anonimato)
Hoje, quarta-feira é dia de jantar na feira.
Prático e econômico.
Pra minha sorte, esse tal de inferno astral dura só (??) um mês.
É. O pior já passou.

02 dezembro, 2003

- Onde vais, assim, com esse seu jeito betacaroteno de ser?
Isso é que dá vir trabalhar usando camiseta laranja.

01 dezembro, 2003

Morreu ou não morreu?
Isso foi lá pelos idos de setembro. Eu juro que não tinha bebido. Mas eu vi, eu vi uma apresentação do Tim Maia no Faustão. E era ao vivo. Eu vi no canto da tela o aviso. Achei meio estranha aquela parada e caí na besteira de perguntar aos meninos, na segunda-feira. Claro, todos me olhavam com cara esquisita e aqui ninguém perdoa nada, vocês sabem.
Agora, toda segunda-feira é assim: eles fazem a chamada pra saber quem tá vivo ou morto.
Tá. Eu sei, Elvis não morreu. Mas que o finado Tim Maia tava ao vivo no Faustão, ah, tava que eu vi! :p
Momento Becky Bloom.
Sábado fui ao shopping. Antes que eu ficasse absolutamente convencida de que uma mulher não pode ser feliz sem possuir um anel em ouro branco enfeitado com couro de surubim
(R$ 280,00) resolvi sair correndo e entrei numa livraria.
Saldo do prejuízo: dois Mario Prata e um Veríssimo.
Melhor assim.

23 novembro, 2003

Tempo perdido.
Desabei meu esqueleto no shopping. Comi alguma coisa e, já que eu tava na merda mesmo, uma a mais, outra a menos, who cares?
Decidi que eu iria chegar, finalmente, à praia de Ponta Negra. E não ia seria de táxi. De bumba mesmo, como manda o figurino.
Então eu fui. Dois bumbas, com uma baldeação num terminal assustador.
Cheguei. Isso é o que importa.
Ponta Negra é legal, mas eu tava num humor do cão. Nem George Clooney ajudaria a melhorar a paisagem. Eu tava puta nas calças.
Pra completar o quadro, tava rolando um evento por lá.
Concurso estadual e municipal de bandas e fanfarras.
Uma esbórnia.
Manhê!!


Inexperiências imobiliárias - a novela continua.
Sábado, acordei com a macaca. Levantei decidida a resolver essa porra desse pobrema, nem que fosse preciso matar alguém.
Fui tomar café da manhã na praça, comprei o jornal e chapei num tijolinho que anunciava: Central Park (caraio, é ao lado da agência!!!!), dois quartos, totalmente mobiliado para executivos. Ora, eu sou uma executiva. Esse ap. é meu.
Corri pra casa, liguei na imobiliária. Uma corretora mulher. Ótimo, só uma mulher pra entender meu drama.
Contei minha história triste.
Meia hora depois, a corretora tava na porta do meu prédio, pra me levar ao ap. Legal, economizei um vale-transporte. :O)
Eu tava ali no banco do passageiro, só notando que a mulé tava fazendo um caminho meio esquisito. Merda. Quando ela entrou na Getúlio Vargas, foi a minha conta. Péra aê, pra onde você tá me levando?
Central Park I.
Eu combinei que era o Central Park II, caraio, na Paraíba.
Bosta.
Bosta.
Bosta.
Tem que ter uma paciência chinesa. Acreditem.
O pior ainda está por vir.

EU QUERO MINHA CIÇA-MÃE!
Hoje é o aniversário dela. Saudades, muitas saudades.

22 novembro, 2003

21 novembro, 2003

Inexperiências imobiliárias.

As minhas últimas semanas têm sido assim: pesquisas alucinadas nos anúncios de classificados e telefonemas surreais à imobiliárias ou ao proprietário do imóvel. Imóvel? Sinta o drama. Alguns aps. eu vi com meus próprios olhos.

Apto. com 1 suíte, mobiliado, no Centro. R$250,00.
A verdade nua e crua: Um quarto com cama, armário, penteadeira e banqueta. Por 350 reá você fica num com banheiro individual.

Apto 1 quarto, banho, living, cozinha e varanda. Totalmente mobiliado.
R$ 650,00. O pobrema é que o "totalmente mobiliado" é literal. Ninguém consegue andar ou respirar lá dentro. Nem na varanda.

Lindo apto., 1 quarto, mobiliado, com varanda. Ótima localização.
A mobília: 2 armários no quarto e uma estante pra tv. No térreo. A varanda fica na porta de entrada do prédio. Grr.
Fé, Jamanta. Você consegue.

Apto. 2 quarto, coz., living, a.s., gar., piscina, totalmente mobiliado.
R$ 1.400,00. Tratar com Sra. Amanda.
Ora, francamente, dona Amanda, vá se foder.

E a pérola das pérolas:
Ap. ideal para solteiro ou casal sem filhos, com 5 compartimentos. Ótima localização.
What?
Imagino que seja uma espécie de área coberta com 5 caixotes de laranja. Perfeito mesmo para casais em séria crise conjugal. Dormem em caixotes separados.
Pensando bem, pode ser bom pra mim. Não corro o risco de cair da cama.
Amanhã vou ligar lá, pra saber quanto custa.

A última: agora à tarde, liguei pra uma outra imobiliária e, amanhã vou visitar um ap. de 2 quartos, condomínio com piscina e tudo. Mui rico.
Detalhe: o corretor é argentino.
Um arsênico duplo e sem gelo, por favor.

20 novembro, 2003

Os 120 dias.

De falsa magra à magra esquelética em 4 meses.
Incrível como 2kg me fazem falta.

19 novembro, 2003

Lullaby - Creed.
Ouvi umas 15 vezes, hoje.
Acho que estou um pouco triste. E melancólica.

18 novembro, 2003

Chata, eu?
Segunda-feira, levei pra agência uma foto muito bonita que tirei do pôr-do-sol no Rio Negro. Queria que os meninos fizessem um porta-retrato pra mim. Foi aí que começou a minha desgraça.
Tive que ouvir o seguinte diálogo:
- Rapá, essa mulé tá ficando insuportável. Deu tudo quanto foi palpite na gravação, vive dando pitaco na direção de arte, agora inventou de ser fotógrafa. Danou-se.
- Pois tá insuportável mesmo, rapá.
E eu quieta no meu canto.
Então chega o outro: - É fácil. Já viram Um Corpo que Cai? É isso. Dia desses vai cair um corpo lá do quarto andar, e aí a gente tem sossego.
A barra tá pesada pro meu lado, ou é impressão minha?



16 novembro, 2003

Que merda é essa?
Porra, será que perdi meus arquivos de novo?
Bosta.

15 novembro, 2003

Fotos.
Mandei revelar um montão. Ficaram ótimas.
Preciso parar com essa porra de comprar filme de 36 poses. Sai muito caro. :{
Não tem nenhuma minha. Tô magra demais pra ser fotografada. Sem sacanagem, se eu mando uma foto agora pra Ciça-mãe, ela vai achar que eu tô passando fome, tadinha.
Viva eu.
Só hoje me dei conta que ainda não havia comemorado minha contratação. Tirei o dia pra fazer isso.
Acordei cedão e já fui ligando pra 3 imobiliárias. Descobri que tem um ap. pra alugar no mesmo prédio onde estou. Bingo. Agendei uma visita a outro pra segunda-feira.
Estou mais animadinha com isso.
Resolvi só cuidar de mim. Fui ao salão de beleza depilar as pernas - isso era urgente. Tomei suco de taperabá com tapioquinha na praça e fui ao shopping. Dei-me de presente uma bolsa de lona maravilhosa, pra ser minha nova companheira de minhas andanças insanas. Cabe tudo nela. Tem até um bolsinho externo pra colocar minha câmera. Chique no úrtimo.
Juro que não vou abandonar minha cesta de palha linda de morrer. Uma não exclui a outra. :O)
Casa da Sopa.
Conheci esse achado na noite de quinta-feira. Fui com uma colega. É um buffet com 12 tipos de sopas da melhor qualidade, esquema cê-que-serve-se, a 8 reá.
Você pode estar se perguntando: Jama, sopa nesse calor da porra?
Juro que eu pensei a mesma coisa. Mas, acredite, é uma delícia. Matei 5 cumbucas: 2 de creme de palmito, uma de abóbora com camarão, uma de caldo verde com paio e outra de legumes.
O legal é forrar a cumbuca com um montão de pedacinhos de queijo-manteiga e jogar a sopa por cima pra derreter. Não seja louco de fazer isso com o caldo verde.
Acampanham toneladas de biscoito de polvilho fresquinho e torradinhas de pão francês.
Adorei a Casa da Sopa.
Na trave.
Quinta-feira, quase consegui uma casa legal, perto da praia de Ponta Negra. Não rolou. Impossível morar lá e trabalhar onde eu trabalho sem carro. Voltei à estaca zero. Bosta.

08 novembro, 2003

Na quarta-feira, tava eu na parada de ônibus, quando uma mocinha me segurou pelo braço e pediu que eu a avisasse quando o ônibus dela chegasse. Foi quando eu reparei que ela era portadora de um estrabismo muito grave. Tremenda sacanagem. Ela me disse que esperava o 600 ou 651. Ok, xá comigo.
Então, passou 561. Achei melhor tirar minha dúvida: 651 ou 561?
- 651.
Puta merda, presta atenção, Jamanta! Conversamos um pouquinho, mas logo em seguida passou o 118, que é o meu. Eu me despedi e segui meu caminho. Eu me arrependi amargamente por ter feito isso. Não tinha porra nenhuma pra fazer em casa e eu podia muito bem ter esperado o ônibus da mocinha passar, caramba.
Estúpida.
Chegando em casa, pensei: a fraca das vistas pára pra pedir ajuda à uma fraca das idéia. Isso não tinha como acabar bem.

E o Papai Noel que não chega, hein?
Da arte de pedir quentinha pelo telefone.
Então, sobrou pra mim. Peguei o pedido de todo mundo. Teve um que pediu uma picanha completa. Então tá. Liguei lá pro moço das quentinhas.
Disse lá: - Pra fulano, você manda uma picanha completa, com roda de liga leve e ar-condicionado.
- Hã?
- Nada não, esquece.
Essa tava na área, sem goleiro.
Desculpa aê.
Semana corrida. Mal tem dado tempo pra escrever aos amigos.
Continuo sem ter onde morar. É bem provável que eu acabe morando em algum puxadinho em cima de uma lajii. Ó, céus.

03 novembro, 2003

Enquanto isso...
Tenho que achar uma moradia rapidinho.
Estou pesquisando o preço de uma canoa e buscando um igarapé limpinho pra morar.
Minha mãe morreira de desgosto, mas ela há de entender. :O)
Vem chumbo grosso.
Liginha vem morar em Manaus. Támerda. Isso nõa vai prestar.
Liginha é uma amiga muito, muito, muito querida. E vem pra cá de mala e cuia. Chegará em janeiro.
Aguardem emoções fortes. Liginha é mais atrapalhada do que eu. Ela consegue.

Homeless
Então, ficou assim. Fui efetivada. :O)
Passei pelo período de experiência e cá estou.
Uma paulistana da gema, hoje manauara de paixão.
Agora começa uma nova etapa: procurar um ap. pra euzinha. Isso vai dar trabalho. O esquema de imoboliária e classificados rola de um jeito muito diferente de Sampa.
Tudo começa na segunda. Não existe plantão. Semana inglesa. Quando você consegue ligar e alguém atender, o caboclo responde: - Fica ali, ao lado do prédio tal.
E você, do outro lado, pergunta: - Você pode me dizer o nome da rua?
A que seu interlocutor responde: - Égua, sei não.
Então tá.
Daí liguei pra um hotel. Falei com a Joyce e contei minha história triste. A Joyce é ótima. Ela me deu altas dicas. Mandoyu eu esquecer essa parada de morar em hotel, que sai caro pra burro e pasme, pediu para eu ligar de volta, porque ela iria achar um ap. legal pra mim. Agora, eu pergunto a você: dá pra ser infeliz numa terra como essa?

27 outubro, 2003

Xingamentos que eu adoro.

Burro
Palhaço
Paspalho
Desgraçado
Ordinário
Lazarento
Cretino
Cachorro
Nojento
Sua anta
Bicha
Filho de uma que ronca e fuça.
Infeliz das costa oca.
Vadia
Safado
Salafrário
Abestado
Calhorda
Babaca

Pronto, passou.

26 outubro, 2003

Saudades.
Tenho muitas. De todo mundo: da minha filha, minha mãe, minha família, minhas melhores amigas, dos amigos mais próximos. Até de Deus Grego eu morro de saudades.
Quase liguei pra ele, ontem, ouvindo 10,000 Maniacs.
É uma história divertida. Dia desses eu conto pro cês.

Pequenas indulgências.
Sonhos ruins me abalam. Eles conseguem isso.
Pra compensar, me dei um presente. Ao sair do trabalho, no sábado, fui dar uma voltinha no shopping, tirar um troco no caixa eletrônico pro final de semana, enfim, arejar a cabeça.
Dei de cara com uma VHS do acústico do 10,000 Maniacs.
Achei que eu merecia, como de fato mereço.

Dias difíceis.
Eu tô aqui, brincando, brincando, mas a vida não tá fácil.
Ontem foi um dia de cabelo ruim.
Sexta foi feriado. Trabalhei.
Sábado, trabalhei.
Não reclamo disso. O que odeio é acordar constatando que sonhei com fantasmas do passado. Odeio, odeio, odeio.
O perigo vem do céu.
Vocês devem ter notado que há muito tempo eu parei de cair.
Pois não é que outra noite, saindo da agência, eu quase morri? E não foi de tombo, não. Uma manga quase caiu na minha cabeça.
É sério. Foi por pouco. Uma fração de segundos. Desviei no reflexo.
O duro foi chegar no dia seguinte e contar pro povo.
Já tavam dizendo que o traje adequado pra mim seria uma armadura medieval.
Depois dessa, armadura e capacete vai ficar difícil.

Acabou outra novela.
Ganhei dois cachos de pupunha. Um de pupunha vermelha e outro de amarela. Adorei. Achei a vermelha mais legal.
Entrou para o meu cardápio regional, ao lado do queijo coalho, tucumã, jaraqui, feijão verde e sorvete de açaí.

19 outubro, 2003

Pensando bem...
Ontem foi um dia mesmo especial.
Enquanto estava lá no quiosque de frente pro rio eu pensava na vida. Nas coisas do passado. Feridas antigas e recentes. O saldo geral foi muito estimulante. Há exatos 6 meses eu havia tomado um pé na bunda de proporções catastróficas. Achei que nunca iria me recuperar daquele tombo e daquela dor. E cá estou. Livre, feliz e atrapalhada como sempre.
A vida é mesmo uma coisa muito cínica.
A andarilha.
Nessa brincadeira de sair pra comprar pupunha acabei fazendo uma porrada de coisas legais.
1- Fui ao mercado central, o que é sempre muito divertido.
2- Consertei dois relógios que estavam com a bateria pifada. E vale aqui um conselho de amiga: nunca comprem aqueles óculos de grau em camelô. Principalmente se o cara que vende óculos também conserta relógios e é míope. Deu pra entender?
3- Tirei uma porrada de fotos. Da praça da Matriz, do mercado, do porto.
4- Fui a pé ao Teatro Amazonas. Mais uma porrada fotos. Fiz a visita monitorada e aprendi um montão de coisas legais. Deixei minhas anotações em casa. Dia desses conto tudo pro cês.
5- A louca que vos tecla saiu do Teatro Amazonas e foi a pé até o Galo Carijó, sob uma temperatura de 39 graus. A distância? Difícil de calcular. Apenas posso dizer que é longe pra caralho.
6- Finalmente comi jaraqui com muuuita pimenta (adoro pimenta, sem ligar o nome à pessoa, que fique bem claro.) e baião de dois. Amei aquilo.
7- Segui pro Educandos. Ver o rio e pensar na vida. Outra porrada de fotos. Acho que ando pensando muito na vida, porque tenho voltado lá com muita freqüência. Gosto disso.
8- O ônibus de volta pra casa é uma das coisas mais divertidas da vida. Preciso escrever tudo que acontece nele. É muito legal.
9- Cheguei em casa morta. Acho que foi o dia mais agitado dos últimos 3 meses. Caralho!!! Três meses. Amanhã é dia 20 né? Pois, então, é isso. Três meses.
10- Hoje acordei de bem com a vida. Agora, vou lá no Caranguejo almoçar. É bem provável que eu coma caranguejo. E vou continuar lendo Debaixo da Minha Pele. A autobiografia de Doris Lessing. Ando precisando da referência de mulheres fortes, ultimamente.

Boa semana pro cês. :O)



A novela da pupunha.
Após resolver a parada da câmera fotográfica, eu precisava de uma sarna nova pra me coçar. Se não for assim, sou capaz de morrer de tédio.
Então cismei que estou morrendo de vontade de comer pupunha, como de fato estou. De verdade.
Há duas semanas eu tento comprar um cacho de pupunha e não consigo. Quando encontro, estou sem grana. Saio de casa com grana e a pupunha some.
Ontem, pensei: hoje a porra da pupunha não me escapa.
Pois escapou. Não tinha pupunha no mercado central. Nem pra remédio.
Buá.

14 outubro, 2003

Acabou a novela. :O)
Minha câmera fotográfica está novinha em folha.
Agora vai.

12 outubro, 2003

Curiosidades manauaras.
Risoles é risolio (nem sempre com acento). Tem de queijo, carne, presunto com queijo, camarão ou caranguejo. Muita cautela com o de caranguejo. A vida me ensinou.
- Ponto de ônibus é parada de ônibus.
- Aqui se diz "saltar" do ônibus e não "descer" do ônibus. Tem gente que "cai" do ônibus, mas isso é muito feio e dói um bocado. Esqueça.
- Um sanduíche é meia xanduice. Muito complicado? É fácil. Pura matemática. Assim ó: meia xanduice = um sanduiche. Uma xanduice = dois sanduiches.
Entendeu? Ok. Demorou um pouco pra eu me acostumar também.
- x-burguer = hamburguer, queijo, alface e tomate (dois reá)
- x- salada = idem + presunto e ovo (treis reá)
- x- tudo = idem + nem queira saber - posso adiantar que tem até calabreza na parada (cinco reá)
- kikão = cachorro quente. Não tem muita firula: salsicha, creme de leite (= molho branco) e muita cebola. Muito bom. Eu adoro. (só um reá)
- x-kikão = idem + pasme você, muito queijo. Maravilhoso. (1 reá e cinqüenta)
Confesso pra vocês que essas diferenças de nomenclaturas regionais causam alguns constrangimentos.
Por exemplo, é difícil ligar pra lanchonete e pedir: manda aê um kikão pra mim, no capricho.
Pensa bem.
Alô, criançada, o Bozo voltou.
Perdão pela falta de notícias. Vida corrida por aqui. Não tem dado tempo de blogar. Rascunhei uma porrada de coisas. Aos poucos, vou colocar a vida em dia.

05 outubro, 2003

Hoje, o dia é só dela.
Se eu disser que Olívia é uma garota linda, inteligente e brilhante ninguém vai acreditar. Eu sou altamente suspeita, sei disso.
Então, vamos ver o que os famosos diriam sobre ela:
- Ela é uma gracinha (Hebe Camargo)
- A Olívia? Ô môdeus!!!!!! ( Louro José)
- Olívia é uma gata. (Marcelo Antony)
- Concordo. Ela é uma gata (John Stamos)
- Acho a Olívia magrela demais. Deveria engordar um pouco. (Preta Gil)
- Vejo que, mais uma vez, Olívia passará de ano (Mãe Dinah)
- Nossa!!! Ela está mais alta do que eu!!!! (Ferrugem)
- A gente ainda vai falar muito sobre ela (Leão Lobo)
- Que a paz esteja sempre convosco (Padre Marcelo)
- Olívia é uma linda garota. Incrível como ela se parece com a mãe.
(George Clooney ) Tá. Menos, menos, desculpa aê. :p
- Acho que ela canta muito mal. (Britney Spears)
- Escreve muito bem e tem um grande senso de humor a Olívia (Mario Prata)
- Olívia é a definição da garota chic. (Glorinha Kalil)
- Acho que ela se veste muito mal. (Geena Davis)
- Tenho muito o que aprender. Ela sabe fazer compras. (Becky Bloom)
- Olívia dança muito bem (John Travolta)
- Eu adoro a Olívia. Ela também gosta de pizza de catupiry. (Godzila)
- Acho que ela deveria falar mais merdas, cê tá me entendendo? (Fernanda Young)
- Olívia é uma garota pato firme. (Magda)
- Deveria, de verdade, ganhar uma guitarra. (Eric Clapton)
- É uma grande artilheira. (Ronaldinho)
- Mais do que bom gosto, Olívia tem bom senso. (Danusa Leão)
- Olívia tem um sorriso lindo, que vem da sua alma (Arnaldo Jabor)
- Olívia é o amor da minha vida. (Ana Almgren)

Feliz Aniversário, Olívia.
Saudades muitas.

23 setembro, 2003

Jamanta Produções Oníricas.

Noite passada, sonhei que eu estava chegando em uma festa, acompanhada de um amigo. A festa ficava numa chácara. O quintal escuro era vigiado por muitos cães e notei a presença de 3 felinos. Comentei com ele: - Parecem ser onças.
- São onças.
Ops.
E continuamos a procurar a casa, andando lado a lado.
Até que eu virei para o meu amigo e pedi, muito calmamente:
- Você pode me ajudar a tirar essa onça pendurada na minha mão? Os dentes dela afiados pra burro.
- Não vai dar.
- Por que não?
- Porque eu me cago de medo de onça.
Ô, modeus!
Lembro que me livrei da onça e entramos na casa. Meu amigo foi conversar na cozinha e eu fui para o quarto dormir. Eu estava morrendo de sono e de dor na mão. Os cães e as onças subiram na cama e não me deixavam adormecer.
Agora danou-se de vez.
Eu já tive tudo quanto é tipo de sonho nessa vida. Mas sonhar com a própria insônia foi a minha primeira vez.

22 setembro, 2003

A vista lá no Panorama é mesmo maravilhosa.
Fui disposta a ver o entardecer e acabei ficando até tardão.
Cheguei em casa exausta e feliz. Acho que encontrei minha praia pro aqui. Voltarei sempre. Mas prometo ser uma boa menina e nunca mais subir no 704. Au. Meu braço ainda dói.