Tenho
Melhor eu ir dormir.
Comprei meigas baguetinhas salpicadas de parmesão, que a
gente também adora.
Na padoca da esquina.
Ciça-Mãe amou.
Entendam, eu sempre confundi Caim com Abel, nunca soube
quem matou quem até hoje.
Segundo Noel, o chute no balde é de caráter
irrevogável, num adianta legião de fãs mandando
recadinho e tal.
Game over.
Oasis acabou.
Fiquei tristinha.
Olívia também.
Encontrei Conhecida quando eu estava no buffet de sobremesas
e ela começava a se servir de sopa de cenoura. Ela me
perguntou no que eu trabalho atualmente.
Contei que chutei baldes na minha vida e hoje faço o que
eu faço.
Conhecida contou, com certo ar de enfado, o que faz (eu
entendi perfeitamente a razão do seu enfado) e a conversa
ficou por isso mesmo.
Voltei pra minha mesa, onde retomei uma conversa animada com
a D. , diretora de arte, dupla de criação.
Na hora de ir pra fila da conta, passei por Conhecida
novamente, que estava na fila da sobremesa.
Foi aí que Conhecida mandou a bomba do século:
- Aquela menina que sempre almoça com você é sua
filha?
- What? Qual menina? Oi? , pensei.
- Não, eu respondi numa espécie de murmúrio, quando
fomos interrompidas pela chegada triunfante de D.
E ficou aquela situação completamente besta.
Conhecida tentou consertar: - É que vcs duas têm um
jeito tããão parecido.
- É que a gente trabalha muito tempo juntas, tipo 10, 14
horas por dia, exagerei. Uma acaba pegando o jeito da outra.
É normal. Né? (e sorri o sorriso mais imbecil do
universo).
Conhecida tentando (ou não) consertar o inconsertável,
detonou o seu tiro de misericórdia:
- É que ela (no caso, a D.), olhando de longe, parece ser
beeem mais jovem do que é.
- Que bela segunda chance de ficar calada, você perdeu,
Conhecida, pensei eu.
No caminho de votla à agência, ideias começaram a
pipocar em
minha mente mortalmente ofendida e passei a dividi-las com
minha colega e dileta amiga.
Primeiro, blasfemei contra minha imperdoável ausência da
tal
presença de espírito.
No caso, de porco.
Na hora, eu poderia ter respondido, por exemplo:
- Sim, a D. é minha filha. Engravidei quando eu tinha 9
anos.
Virei estudo de caso, apareci na TV com tarja nos olhos, voz
distorcida e tudo. Foi divertido.
- Não. Somos gêmeas. Só que eu nasci um pouquinho
antes.
- Ora, que cabeça a minha, me perdoe, Conhecida. D. é
minha mãe. Ela é tipo Gloria Maria, sabe? Se alimenta de
ninho de passarinhos exóticos e toma 60 cápsulas de
vitaminas por dia pra ficar assim eternamente. Não é
incrível?
Ou a D. poderia ter respondido:
- Não é a mamãe, não é a mamãe!!!
- Você quer o cartão do meu dermatologista? Um
binóculo?
- De perto ninguém é normal, querida. E de longe
também não, ahuahuahua!!!!
Notem que as possibilidades da mais pura diversão eram
infinitas.
Que belas chances perdemos, não foi?
- Final de tarde da sexta-feira, ser convocada, com toda
equipe a comparecer à sala de reunião. Champagne gelada.
- Cheers! [lagriminhas, minhas]
(Prazer Incomensurável!, diria meu finado Prof.
Poropopó-Bambalalão)
I love it. : )
- Cortar o cabelo, no Visage, início de tarde daquele
sábado passado, gélido e chuvoso.
- Encontrar Fada das Navalhas e Tesouras e sua Fiel
Escudeira morrendo de saudades de mim e da minha filha.
(oumm)
- Ser abraçada por uma criatura deliciosa, outro ser das
Navalhas e Tesouras, que sempre faz questão de parar tudo
que está fazendo, apenas pra dar um oi pra irmã da
Olívia. (no caso, eu ; )
- Passar uma tarde maravilhosa com eles, a despeito das
condições climáticas:
tomando capuccinno quentinho, falando bobagem e lendo
revista de fofoca. Era tudo que eu precisava.
- Sair do salão com a sensação de que o corte ficou
per-fei-to. Ficamos apenas de acertar a cor, num futuro
muito próximo. O que torna tudo bem mais divertido.
- Ir à Brunella pra comer docinho e tomar café, mãe e
filha juntas, só pra resmungar da vida, que não tá
fácil pra ninguém.
- Encontrar minha mãe, minha filha, minha família, no
domingo. Vitórias importantes, o melhor ainda virá.
A pergunta que não quer calar é: esse frio do demônio
vai embora quando mesmo?
Tenho saudades dos meus braços, sabe?
É sério.
Comecei no trampo novo, logo no começo de junho.
A gente já tá, a passos largos, rumo ao final de julho.
Não me lembro de, um dia sequer, eu ter ido trabalhar com
uma blusa que não fosse de manga comprida. É sério.
Tenho saudades sinceras dos meus braços.
Tanto do direito, quanto do esquerdo.
Ultimamente, só os vejo quando tomo banho.
E mesmo assim, bem rapidinho. Eu morro de frio.
Aposto que isso ocorre com você também.
Na boa, isso não é vida.
Né?
Eu odeio esse frio.
Hora marcada com minha fada das tesouras e navalhas para
muito em breve. Compromisso inadiável com o espelho. Não
aguento me ver assim.
Quero novo corte, quiçá nova cor, para combinar com meus
novos planos de incendiar o mundo.
Talvez eu volte a ser ruiva. A ideia me agrada.
Este frio está me matando. Não tenho mais roupa pra
vestir. É sério. Nesta semana, tive que comprar, pelo
menos, uma camisa linda e uma blusa de lã colorida. Não
comprei nada, inverno passado.
Adoro o aroma da sopa quase natural de abóbora que invade
e, de certa forma, aquece minha casa agora. Eu não tinha
percebido o quanto um fogão de verdade estava me fazendo
falta.
Ainda não testei os recursos do forno. Talvez eu prepare
meus famigerados tomates assados, reserva especial, para a
grande estreia não marcada.
Bobagem.
Dia 17 fez dois anos que parei de fumar. \O/
Dia 19, três anos que voltei definitivamente para São
Paulo.
Parece que foi ontem.
Se bem que, não.
Não mesmo. Apenas passou muito rápido.
Apenas isso. Só eu sei. :p
E não é que a sopa de abóbora ficou perfeita?
:)
E se eu tentasse sonhar aquele sonho novamente? Aquele, de
ontem.
HS me contando aquelas coisas, tipo segredo. E declarando
coisas indefinidas.
Custa nada tentar.
Adoraria.
Não consegui visualizar Fulano, o tartarugo tiozão,
partindo pra ignorância. Sinceramente.
Mas como nem tudo é só desgraça ou leseira por aqui,
fomos, quatro amigos, almoçar no tchaina mais próximo.
Nesse ponto, não teve nem mais nem menos.
O rolinho primavera era tão leve e tão delicado, que
chegava a me gerar arrependimento profundo por ter pedido
apenas uma unidade.
A certeza absoluta é que eu nunca devorei um porco
agri-doce (hífen, ainda?) tão perfeito, na textura e no
equilíbrio dos sabores.
Amei a cozinha chinesa do Haudy.
[www.haudy.com.br]
Hoje, fui com a D. conhecer o restaurante natureba local.
Roteiro obrigatório, sempre.
Explorar as potencialidades de um restaurante natureba local
é tão necessário e instrutivo quanto a igreja matriz e
a padoca da avenida.
Sou muito ligada às tradições, vocês sabem.
Comi arroz integral; feijão de corda; couve-flor, batata e
maçãs gratinadas; vagem, nori e moyashi ao garam
massala. Os caras são xiitas.
Porém, tudo com um quê meio indefinido e quase nada de
sabor ou sal.
Os ingredientes não conversavam entre si.
Nem se davam muito ao trabalho de brigar.
A indiferença apenas foi rompida pelo valor do prato:
inexplicáveis R$20,00.
A grata surpresa foi conhecer o empório que habita o mesmo
recinto.
Coisas bem interessantes, como a linha de sorvetes Mel.
Fiquei especialmente inclinada em adquirir um pote de 750 ml
do sabor avelã e cacau, na próxima visita. (apenas ao
empório ;)
Massas secas bem interessantes, orgânicos frescos,
docinhos sedutores, chazinhos meigos.
Vez ou outra você se depara com um precinho razoável.
Fiquei especialmente encantada por uma espécie de miojo
naturebaço, feito com nissim integral, zero trans,
blá-blá e, pasmem, tempero sabor funghi. (!!)
Comprei um exemplar apenas para conferir do que se trata.
Missão científica e de paz.
No moleskine ficou anotado, então:
X & X - potencialmente um ótimo empório.
Almoce na padoca.
Conto o resultado do miojo pseudamente naturebaço, assim
que possível.
Funghi liofilizado é piada da indústria, né?
Adorei o raciocínio/ousadia dos caras.
Sem falar que a embalagem é fofa.
Tá.
Vou dormir.
Silêncio.
É, vamos considerar que eles ainda não entenderam
direito com quem estão lidando. Ou se recusam a.
Cada enxadada, uma minhoca, diria meu avô.
Tem sido assim, os dias.
Benza. :)
No próximo findi, vou lá pras bandas da rua Maria Paula
comprar apetrechos
para a minha cozinha.
O Ventilador vai ficar pequeno pra tanto assunto.
(cof, cof, cof)
A chegada das férias de julho tem sido um respiro salutar
na minha rotina pela cidade. Nunca mais levei duas horas
para voltar pra casa.
Quarenta minutos, hoje, significam dois palitos.
Literalmente.
Deveria ficar assim pra sempre.
Fui convidada a fazer revisão de estilo da autobiografia
de uma psicoterapeuta.
Só o convite já foi uma honra.
E daí o Kassab quer acabar com a circulação dos
ônibus fretados.
A ideia do palhaço é entupir ainda mais as vias
públicas de carros, eu suponho.
Errei?
Theo Becker era o cara.
Só a Record não conseguiu enxergar. :p
Sexta-feira passada, 6h42 da madruga fria, av. 23 de Maio,
sentido centro.
[Velvet Morning na caixa]
- Mãe, eu queria tanto ir a um show do The Verve
(suspiros)
- Se eles tivessem o hábito de fazer algum, facilitaria um
bocado. Concorda?
- Mãe, na Inglaterra eles fazem mais shows que o Chiclete
com Banana.
- Também não precisa esculhambar desse jeito. Chiclete
com Banana foi sacanagem com os caras.
[sobe trilha e encerra]
Podia ser pior. Pensa. :)
Olívia tem demonstrado progressos surpreendentes à
direção.
No entanto, meus freios imaginários talvez já estejam
precisando de pastilhas imaginárias novas.
Eu ainda sofro muito, concretamente.
Coisa de mãe. Vai passar, eu sei.
Ela tá se saindo muito bem.
Silêncio.
- Pergunta pro Fulano se ele quer fazer um frila e gastar
munição numas pombas que resolveram morar lá em casa,
disse calmamente outro colega.
Então você deve estar perguntando: - Ana, como é que
você tem essa capacidade de sempre trabalhar em lugar que
só tem figuraça desse naipe?
Ao que certamente eu vou responder: - Deve ser a tal da lei
da atração, mano. Só pode.
- Mãe, e o Dr. S. tá bem?
- Nesta semana, completamos 32 anos de namoro. Acredita?
- Acredito que talvez este seja o namoro mais longo da
história da humanidade.
- E ele nunca me pediu em casamento.
- Mãe, tá na cara. Esse cara tá te enrolando, cai
fora. :)
Ciça-Mãe tem 77.
Dr S., 88.
Namoram há 32 anos.
Sabe-se lá por quanto tempo se paqueraram.
Acho linda essa história.
Não fiz simpatia pra Santo Antonio. Nem fiquei triste no
dia 12.
Preguiça foi o meu principal pecado.
Apenas ensinei minha filha a preparar risoto com alguns
segredos que eu nunca conto a ninguém. Ela aprendeu.
E, ó, o evento foi um sucesso. Eu soube.
De vez em quando eu acerto.
Bem de vez em quando.
Ontem/antesdontem, 13, foi niver da minha madrinha.
Mulher mais fofa e querida do mundo, ela.
Amo-a de paixão.
Hoje/ontem, 14, teve almoção em família pra comemorar.
De presente, comprei uma mantinha azul total e igualmente
fofa, daquelas que a gente adora usar pra se cobrir no
sofá, enquanto vê TV, degustando uma sopinha de pacote
ou sucrilhos kellog´s com leite ou mingau de farinha
láctea ou brigadeiro de colher.
Confort food.
I love it.
Eu sei que ela também ama ver TV assim.
: )
Amanhã/hoje, eu vou tomar caldinho de abóbora com
linguiça, enquanto espero a hora do rodízio passar, lá
no Gogó da Ema. Ou talvez eu arrisque o de cebola. Se bem
que aquele de mandioquinha com polenguinho.
Estou achando muito divertida a ideia de ter um local pra me
ancorar do lado de lá da ponte, até o trânsito insano
da cidade se acalmar.
Não tenho conseguido chegar em casa cedo.
Horas parada no trânsito pra voltar.
Horas. Muitas horas. Quase duas é muito.
Mas chega também de falar de comida.
Tenho falado demais.
Acho que estou com frio.
Melhor eu dormir um pouco.
Tentar, pelo menos.
Eu queria tanto conseguir voltar a dormir demais.
Tá.
Além da preguiça, a gula tem sido um pecado também.
Se bem que rola uma ira importante, de vez em quando.
Aliás, a ira é o meu pecado predileto. Adoro.
Talvez por isso eu não consiga dormir.
Será?
;)
*****
Ontem, eu e Olívia fomos almoçar na casa da
Ciça-Mãe.
Detalhe: ela foi dirigindo.
E eu fui o caminho todo pisando em ovos e no meu freio
imaginário.
Emoções fortes, viu?
Olívia tem pé de chumbo. Não sei a quem puxou, essa
menina. : )
*****
Sábado, eu fui às compras.
Investi em bolsas. Só pra variar.
Tô que não me aguento de alegria.
Fosse comigo, eu iria cair dura no chão, feito um carpete
enrolado.
Certeza.
Isso vai desde os tempos em que o ciclista Walter Feldman
morava
pertinho do trampo e inventou que rodízio de carros daria
um
algum resultado. Faz séculos isso. (vamos combinar que, de
certa forma, o
secretário verdolengo tinha alguma visão de futuro)
A partir de então, todos os carros que eu tive na vida
foram com
placa final 1, porque eu me acostumei com a ideia de que a
segunda-feira foi um dia milimetricamente planejado pra todo
mundo se foder desde a véspera, quando começam a soar os
primeiros acordes da musiquinha do Fantástico.
Não se tem pra aonde correr (ou pedalar, ou acelerar).
Antes às segundas do que às sextas, eu sempre disse.
A verdadeira pedra no meu sapato, hoje, é o Kassabi.
Na completa falta melhor do que fazer, o palhaço inventou
o caça-níquel da tal inspeção veicular.
Acompanhe minha triste trajetória.
No final de 2007, comprei um carro. Zerinho. Flex.
Bonito até, eu acho.
Em dezembro de 2008, eu sofri um acidente.
Tive meu carro ainda incompleto de volta à minha garagem
no final de fevereiro, começo de março. (estou
procurando um advogado, aceito indicações, pliz)
Só então tive a oportunidade lógica de fazer a tal da
inspeção, que ficou marcada compulsoriamente pelo tal
Controlar pra 23 de abril.
Oportunamente Ogun me protegeu, Iê!, porque choveu pra
dedéu na
ocasião, eu me ferrei até chegar a tempo às bandas do
Sacomã, apenas pra cumprir meu dever de cidadã.
(perdão pela rima infame). :P
Até hoje, eu não encontrei uma criatura capaz de me
convencer da razão ou da necessidade de inspecionar a
emissão de poluentes por um veículo com apenas 19.000 km
rodados, recém-saído da 2a revisão, que habitualmente
é abastecido por um mix de 1/3 de gasolina aditivada +
2/3 de álcool de boa origem comprovada pela Shell.
Então tá.
No dia 27 de abril, paguei o licenciamento, as duas multas
devidas e os R$11,00 pelo Sedex para receber a
documentação no aconchego fofo do meu lar.
Terça-feira, 05 de maio (!!), eu recebi um envelope do
correio que continha uma intimação para que eu
comparecesse à sede do Detran para regularizar a
situação do meu veículo.
What?
Pra encurtar a parada: o palhaço do Kassabi só inventou
a tal da inspeção veicular para carros novos, porque
mandar fazer inspeção em veículo velho, ele
confessou, ia dar pobrema. Modos que.
Pobrema maior foi a incompetência da entidade chamada
coisa
pública municipal.
Os sistemas não conversam entre si. Notem bem.
Prodam dormiu no ponto, não passou as infos necessárias
da Inspeção ao Detran e quem pagou o pato fui eu, placa
final 1, na leva dos primeiros dos veículos no showzinho
circense do nariz vermelho Kassabi.
Bois de piranha.
Eu tive que encarar a nojeira que é o prédio do Detran e
um bando de gente mal educada.
Até quem não é, fica.
Trust me.
O clima péssimo contagia.
Apresentei toda documentação necessária, comprovantes
de inspeção e de pagamento de taxas ao quadrúpede que
me atendeu.
Recebi minha documentação, sem nenhum pedido de
desculpas pela vacilada, em nome da Prefeitura ou do Detram.
Na miúda.
Neguinho se mancou, se calou e ainda me olhou feio, veja
só.
Tenho direito aos meus R$11,00 pagos pelo Sedex de volta.
Se sua placa é final 8 ou 9, não esmoreça jamais.
É meio provável que, até lá, tudo tenha se
ajeitado.
Kassabi é um cara meio devagar, sejam pacientes.
Mas se a gente for pensar bem, novembro ou dezembro tão
logo aí.
Né?
Noite de domingo, eu, filhota e sua amiga Miguxa fomos ao
Credicard Hall buscar os ingressos.
Óbvio, eu me perdi na Marginal Pinheiros.
Aquela ponte Transamérica é mesmo complicadinha, me
disseram, e é verdade.
Local inóspito.
Estressei-me. Muito.
Ao chegarmos, passou.
Incrível como algumas coisas na vida são universais e
atemporais.
A cena clássica de duas adolescentes comemorando com
pulinhos miúdos e gritinhos histéricos, por exemplo.
Constrangedor e fofo, ao mesmo tempo.
Até a mocinha da bilheteria se divertiu.
E eu me comovi, por razões que não veem ao caso agora.
Ao deixar Miguxa (gente boa pra caramba) em casa, beijinho,
desejei boa semana e disparei:
- Miguxa, adorei te conhecer, guarda o teu ingresso para o
show em local seguro, em um cofre se possível, pra não
ter perigo e, ó, desculpa o stress, tá?
- Qué isso, tia. Relaxa. Eu também sou a mó perdida.
Como assim?
....................
Tá certo que eu me atrasei um pouco para buscar a Oli. Em
compensação, chegamos cedão na casa da minha mãe.
Uma das tarefas importantes do dia era comprar chá. Nem
11h30 e eu já tava na feira, veja que progresso.
Irmã das Ervas nem acreditou quando me viu.
- Caiu da cama?
Talvez como prêmio por bom comportamento, Irmã das Ervas
avisou que iria fazer uma mistura caprichada pra mim.
Acrescentou cinco pedaços de aniz estrelado. Uau! Agora
minha poção mágica é 5 estrelas. :p
Exatamente quando meu horóscopo manda que eu fique muito
atenta aos conteúdos reveladores dos meus sonhos nas
próximas três noites, tenho dormido feito uma pedra.
Justo agora?
Hoje, final de tarde ensolarada, porém, eu tive uma
recaída. Bateu saudade forte de passear sem pressa e
observar o movimento das pessoas pela rua.
Eu precisava comprar um pequeno retalho de tecido vermelho.
E um pedaço de fita, talvez.
A loja boa fica a uns três quilômetros daqui. Fui a
pé.
Na loja boa, conheci Vicente que, a julgar pelo bigode de
quermesse, tratava-se do vendedor senior, responsável por
orientar a nova colega trainee sobre a política da casa
quanto à metragem mínima a ser vendida aos clientes,
conforme o valor o tecido. Um critério bastante complexo,
me pareceu.
Perguntei ao Vicente sobre a política da casa quanto às
peças da banquinha de retalhos. E descobri que, neste
caso, não há. Ou leva o retalho pronto, já cortado ou
esquece, veja que coisa.
O corte que me interessou tinha 1,20m e eu precisava só de
30 cm. Foi uma negociação árdua e desgastante. Vicente
estava irredutível.
Decidi então por um tecido que custava R$ 9,90 o m . Aí,
sim, eu pude pedir apenas os 30 cm de que eu precisava. Vai
entender.
Então, por apenas R$ 2,97 comprei 30 cm do mais lindo
tecido vermelho que havia na loja. Desejei bom feriado ao
irredutível Vicente e voltei caminhando pra casa, pensando
em como transformar aquele lindo retalho na peça que eu
tanto preciso. Um drama real, entendam. Prendas domésticas
nunca foram o meu forte. Nem pregar um botão eu sei.
Agora vai.
Daí só vai ficar faltando eu plantar a tal da árvore.
Aquele feijãozinho no algodão da pré-escola não
conta, eu sei.
Uma jaboticabeira, talvez.
De manhã logo cedo, muito cedo, ligo o rádio do carro.
Beatles.
Day Tripper.
À noite, chuva torrencial, cidade quase parando, ligo o
rádio do carro. Beatles.
Twist and Shout.
Uau.
Espero resposta importante. Em troca, recebo spam.
Mármores e granitos com preços promocionais para
igrejas.
É.
2009 não veio mesmo a passeio.
Hoje, ao ler sobre a tal da lei que proíbe o fumo em
locais públicos, fiquei indignada.
Sou a ex-fumante (há 21 meses :) mais boa gente do
planeta.
(meus amigos fumantes estão aqui e não me deixam mentir,
certo?) .
Nunca impliquei com gente fumando ao meu lado.
Minhas questãs são tão simplinhas:
1- O Estado pode determinar, por exemplo, que um
condomínio ou uma empresa não pode ter um fumódromo?
2- Ou que um bar não pode receber fumantes?
3- Isto é constitucional?
4- Quem José Serra pensa que é?
(como se já não nos bastasse ter um presidente pagando
de bobo da corte. Né?)
Enfim, a Quaresma tá acabando.
Nunca vi uma tão longa na vida.
Nunca mesmo.
Volto, portanto, a me recolher à minha insignificância,
de onde eu nunca deveria ter saído.
Fui.
Tava na bula:
Contra-indicações: hipersensibilidade compravada a
produtos originários de células de ovário de hamster
chinês.
E eu não tô de sacanagem. Te juro.
Fiquei imaginando o diálogo entre médico e paciente.
- Tem alguma hipersensibilidade comprovada a produtos
orignários de células de ovário de hamster chinês?
- Que eu me lembre, não, doutor. Tive problema com um
hamster, uma vez. Mas não era chinês.
- Ótimo.
[Ventilador - Setembro/2006]
Para casa ficar no jeito, ainda tenho muito chão pela
frente. Tem que refazer os azulejos e parte elétrica do
banheiro, derrubar cozinha e área de serviço antes de
pensar em mexer na sala. Depois deste pequeno teste, só
tomo coragem para começar de novo daqui a 10 anos.
Traumatizei.