Sexto sentido.
Até há alguns dias, eu achava que estava cega e surda.
Exames clínicos me comprovaram o contrário.
Diante de tudo que eu tenho lido e ouvido ultimamente, intuo que o melhor a fazer é continuar muda, sabe? Ö
04 agosto, 2006
31 julho, 2006
Motor, funilaria e pintura.
Foram dias produtivos por aqui, considerando que estou de volta há pouco tempo.
A semana passada, eu reservei para uma dar uma geral em mim e fazer jus aos milhares de reais gastos em plano de saúde, sem utilizar o serviço durante 3 anos. Decidi que era hora de pegar abuso.
Além de dar uma tremenda sorte nas escolhas aleatórias dos profissionais, eu me diverti um bocado.
O dr. Superbacana.
Eu sou obrigada a confessar que sempre fico meio nervosa em consultas médicas em geral. Isso é muito perigoso, porque as chances de eu falar merda nessas circunstâncias costumam triplicar. E assim foi.
Primeira consulta com doutor desconhecido e sem referências. Sujeito simpático e brincalhão.
- Nome?
- Ana.
- Data de nascimento?
- Tal, de tal, de tal.
- Temos a mesma idade, mas eu sou mais velho, por isso respeite meus cabelos brancos.
- Até aí, eu também tenho alguns, só que eu disfarço melhor.
- Mas eu sou mais velho.
- Sim, o sr. é mais velho.
- CEP
- Zero, xis, xis.
- Tá dando erro. Diga o endereço.
- Rua tal, número.... x. Não, não, número y. É isso, número y.
- Celular?
- Péra aí, tenho que conferir.
- ...
- Você deve estar achando que eu sou uma pessoa meio desorientada.
- Estou.
- Não sou. Cheguei de viagem há 4 dias, estou hospedada na casa da minha mãe e acabei de comprar uma linha nova pro celular. Ainda não decorei tudo.
- Sei.
- Profissão?
- Publicitária.
- Estado Civil?
- Divorciada.
- Por que toda publicitária é divorciada?
- Nem todas.
- Todas que eu conheço são.
Achei melhor não contrariar.
- Tá namorando?
- No momento, não.
- Por que não?
- História delicada, tem meia hora?
Ele prosseguiu com a anamnese e depois, fui para a mesa de exame.
- Eu tive uma namorada que era publicitária. Outro dia, eu a encontrei no Orkut.
- Xii - pensei.
- Depois eu achei melhor sair do Orkut, porque tava me causando problema.
- Orkut é o tipo de coisa que, mais cedo ou mais tarde, acaba dando problema. Ela era o quê?
- Publicitária e designer nas horas vagas.
- Diretora de arte?
- Atendimento. Nunca entendi direito o que faz um Atendimento.
- Não posso culpá-lo por isso. Nem quem é da área entende.
De volta à sala de consulta.
- Quando foi sua última mamo?
- Maio de 2003. Lembro que tava tudo beleza.
- Tem idéia de onde possa estar guardado o resultado?
- Claro que não.
- Tenta no móvel da TV. Tudo que a gente procura e não sabe onde tá, tá no móvel da TV.
- Sem chance. Lá eu tenho certeza que não tá.
- Então procura numa gaveta onde você guarda extratos e comprovantes de Imposto de Renda.
- Aí já pode ser.
- Leve o exame no dia. O resultado fica mais preciso quando comparado com o anterior.
- Entendi.
- Marque retorno pra daqui a 15 dias e, quando voltar, quero ouvir você me contar que tá namorando.
- Sim, claro. Ao terminar a leitura deste livro aqui, todos os homens estarão aos meus pés.
- Não acredito que você tá lendo isso.
- Sim, já tô na pág. 12! :)
- Ana?
- Tô te falando. É muito comédia.
- Você leva isso a sério?
- Claro que não! Dãrr!
- Assustei.
- Tenho um outro muito pior. Vou trazer na próxima consulta. Um verdadeiro caça-níquel. Impressionante.
- Quero ver. E quero que você faça uma pesquisa de campo, de cunho científico. Quero saber porque os publicitários vivem se separando. Pergunte aos seus colegas e me traga os dados.
- Eu tenho uma tese sobre isso.
- Qual?
- Todo (a) publicitário (a) é, por definição, um (a) mala. Quando não tá pensando em trabalho, tá sempre muito ocupado, admirando o esplendor do próprio umbigo. Eu me conheço. Tento me desculpar, mas o mundo não entende.
- Você vai parar de fumar.
- Uma coisa de cada vez, doutor.
- Se eu parei, você também consegue.
- Parou como?
- Parando.
- Nem vem. Chicletinho de nicotina? Adesivinho? Aposto.
- Nada. Parei e pronto.
- Hum.
- Teve uma época que eu voltei. Tava em crise. Voltei, mas foi por pouco tempo.
- Sabiiia!
- Mas depois, parei. Então, faça a mamo, pare de fumar, arrume um namorado e volte em 15 dias.
Muito figura, esse doutor.
Marquei a mamo. Achei o resultado da anterior. Tava na prateleira dos extratos antigos e variedades inclassificáveis. Como ele adivinhou?
Ainda não parei de fumar, mas mudei de marca, o que já posso considerar um grande avanço: o novo Free Flex. Que poderia perfeitamente chamar Free for Kids. Flex me dá impressão de que pode ser a álcool ou a gasolina.
Preciso fazer minhas lições de casa. Meu prazo já tá estourando. Mas, calma.
Uma coisa de cada vez.
O doutor Blasé.
No dia seguinte, fui ao oftalmo.
Minha situação era preocupante. Não estava enxergando um palmo diante do nariz. Literalmente.
Marquei consulta com um Professor Doutor, numa dessas torres esquema Medical Center, que estão super-na-moda.
Consultório cheio. Atrasou pra caramba.
Chegou minha hora. O cara até que era simpático, mas bastante polido.
Coisa de Professor Doutor, entende?
Eu estava apreensiva.
Contei minha história triste. Sentei naquela cadeira esquisita.
Doutor Blasé, indiferente ao meu ar de estranheza, pingou umas gotas cruéis nos meus olhos.
Apenas por curiosidade, pensei em perguntar se aquilo seria a versão líquida de spray de pimenta.
Ardeu pra burro.
- Doutor, arde assim mesmo?
- Sim, mas vai passar logo.
- Doutor, eu tô sozinha. O sr. tem certeza de que vou poder sair daqui dirigindo?
- Vai. Esse incômodo já vai passar.
INCÔMODO? COMO ASSIM? TENHO CACOS DE VIDRO NOS OLHOS!
Então, começou a pior parte.
- O que você consegue ler ali?
- Um borrão.
- E agora?
- Piorou.
- Melhorou?
- Médio.
- Agora?
- Err.. O sr. tá me confundindo.
E assim foi.
Sentei-me à espera do veredito.
- Fundão de garrafa, doutor?
- Como?
- Tô muito cega?
- Não, pra longe, coisa mínima. Pra perto, o normal pra idade.
Precisava jogar isso, assim, na minha cara?
Saí do consultório com a sentença anotada num receituário cheio de onda, quase elegante, e fui direto escolher os óculos.
Quase perdi a cabeça por um Guess! muito fofo, que ficou horas piscando pra mim.
Resolvi deixar a decisão pro dia seguinte. Pensei com frieza. Ele era lindo, mas uma extravagância irresponsável. Optei por um simpático e modesto Giorno, mais de acordo com as minhas posses.
Agora tô enxergando tudo. Uma maravilha. Consigo ler bula, texto legal, o diabo. Só não consigo ler o que está escrito na haste interna do Giorno. Mas deve estar em corpo 4.
O doutor Prodígio.
Eu queria também um dermato. Lembrei que a Oli tem um muito legal, mas ela tava viajando e não tinha como conseguir o telefone do cara.
Decidi continuar consultando o Oráculo, também conhecido como Manual de Orientação ao Usuário. Marquei, como de costume, aleatoriamente.
Consultório bacana, doutor novinho. Se tiver mais que 32 anos é exagero.
Eu tinha uma queixa que estava realmente me preocupando.
O rapaz matou de primeira, sem deixar sombra de dúvida: - Essa pinta na nuca é benigna, mas se quiser, eu tiro agora. Quer?
- Precisa?
- Não. Mas posso arrancar isso em dois minutos. Quer?
- Melhor deixar quieto. Até que ela é bonitinha. O cabelo cobre. :)
O dr. Comédia.
Otorrino. Doutor já na casa dos 60.
Dados pessoais. Nome, endereço, data de nascimento.
- Estado civil?
- Divorciada.
- Quantas vezes?
- Como?
- Vocês, dessa geração, costumam se divorciar a cada dois meses.
Não! De novo esse assunto, não!
- Oficialmente, uma vez só, doutor.
- Uma só? Que coisa antiga.
Hunf!
- Qual o seu problema?
Contei minha história triste.
- E esse zumbido, você percebe há quanto tempo?
- Há um tempão. Tanto que já até virou sonoplastia.
- Se é assim, então faz de conta que ele não existe.
WHAT???
Mais 10 minutos de conversa divertida jogada fora, depois do exame clínico, saí do consultório com uma pomadinha pra alergia e um pedido de audiometria.
Com a recomendação expressa: - Não tem pressa e marca retorno quando quiser, viu? Agora, me diga: qual é mesmo a música que fala de Jaçanã?
- Trem das 11, doutor. Adoniran, lembrou?
- Ah! Claro! A do filho único.
Ô, mô pai!
Foram dias produtivos por aqui, considerando que estou de volta há pouco tempo.
A semana passada, eu reservei para uma dar uma geral em mim e fazer jus aos milhares de reais gastos em plano de saúde, sem utilizar o serviço durante 3 anos. Decidi que era hora de pegar abuso.
Além de dar uma tremenda sorte nas escolhas aleatórias dos profissionais, eu me diverti um bocado.
O dr. Superbacana.
Eu sou obrigada a confessar que sempre fico meio nervosa em consultas médicas em geral. Isso é muito perigoso, porque as chances de eu falar merda nessas circunstâncias costumam triplicar. E assim foi.
Primeira consulta com doutor desconhecido e sem referências. Sujeito simpático e brincalhão.
- Nome?
- Ana.
- Data de nascimento?
- Tal, de tal, de tal.
- Temos a mesma idade, mas eu sou mais velho, por isso respeite meus cabelos brancos.
- Até aí, eu também tenho alguns, só que eu disfarço melhor.
- Mas eu sou mais velho.
- Sim, o sr. é mais velho.
- CEP
- Zero, xis, xis.
- Tá dando erro. Diga o endereço.
- Rua tal, número.... x. Não, não, número y. É isso, número y.
- Celular?
- Péra aí, tenho que conferir.
- ...
- Você deve estar achando que eu sou uma pessoa meio desorientada.
- Estou.
- Não sou. Cheguei de viagem há 4 dias, estou hospedada na casa da minha mãe e acabei de comprar uma linha nova pro celular. Ainda não decorei tudo.
- Sei.
- Profissão?
- Publicitária.
- Estado Civil?
- Divorciada.
- Por que toda publicitária é divorciada?
- Nem todas.
- Todas que eu conheço são.
Achei melhor não contrariar.
- Tá namorando?
- No momento, não.
- Por que não?
- História delicada, tem meia hora?
Ele prosseguiu com a anamnese e depois, fui para a mesa de exame.
- Eu tive uma namorada que era publicitária. Outro dia, eu a encontrei no Orkut.
- Xii - pensei.
- Depois eu achei melhor sair do Orkut, porque tava me causando problema.
- Orkut é o tipo de coisa que, mais cedo ou mais tarde, acaba dando problema. Ela era o quê?
- Publicitária e designer nas horas vagas.
- Diretora de arte?
- Atendimento. Nunca entendi direito o que faz um Atendimento.
- Não posso culpá-lo por isso. Nem quem é da área entende.
De volta à sala de consulta.
- Quando foi sua última mamo?
- Maio de 2003. Lembro que tava tudo beleza.
- Tem idéia de onde possa estar guardado o resultado?
- Claro que não.
- Tenta no móvel da TV. Tudo que a gente procura e não sabe onde tá, tá no móvel da TV.
- Sem chance. Lá eu tenho certeza que não tá.
- Então procura numa gaveta onde você guarda extratos e comprovantes de Imposto de Renda.
- Aí já pode ser.
- Leve o exame no dia. O resultado fica mais preciso quando comparado com o anterior.
- Entendi.
- Marque retorno pra daqui a 15 dias e, quando voltar, quero ouvir você me contar que tá namorando.
- Sim, claro. Ao terminar a leitura deste livro aqui, todos os homens estarão aos meus pés.
- Não acredito que você tá lendo isso.
- Sim, já tô na pág. 12! :)
- Ana?
- Tô te falando. É muito comédia.
- Você leva isso a sério?
- Claro que não! Dãrr!
- Assustei.
- Tenho um outro muito pior. Vou trazer na próxima consulta. Um verdadeiro caça-níquel. Impressionante.
- Quero ver. E quero que você faça uma pesquisa de campo, de cunho científico. Quero saber porque os publicitários vivem se separando. Pergunte aos seus colegas e me traga os dados.
- Eu tenho uma tese sobre isso.
- Qual?
- Todo (a) publicitário (a) é, por definição, um (a) mala. Quando não tá pensando em trabalho, tá sempre muito ocupado, admirando o esplendor do próprio umbigo. Eu me conheço. Tento me desculpar, mas o mundo não entende.
- Você vai parar de fumar.
- Uma coisa de cada vez, doutor.
- Se eu parei, você também consegue.
- Parou como?
- Parando.
- Nem vem. Chicletinho de nicotina? Adesivinho? Aposto.
- Nada. Parei e pronto.
- Hum.
- Teve uma época que eu voltei. Tava em crise. Voltei, mas foi por pouco tempo.
- Sabiiia!
- Mas depois, parei. Então, faça a mamo, pare de fumar, arrume um namorado e volte em 15 dias.
Muito figura, esse doutor.
Marquei a mamo. Achei o resultado da anterior. Tava na prateleira dos extratos antigos e variedades inclassificáveis. Como ele adivinhou?
Ainda não parei de fumar, mas mudei de marca, o que já posso considerar um grande avanço: o novo Free Flex. Que poderia perfeitamente chamar Free for Kids. Flex me dá impressão de que pode ser a álcool ou a gasolina.
Preciso fazer minhas lições de casa. Meu prazo já tá estourando. Mas, calma.
Uma coisa de cada vez.
O doutor Blasé.
No dia seguinte, fui ao oftalmo.
Minha situação era preocupante. Não estava enxergando um palmo diante do nariz. Literalmente.
Marquei consulta com um Professor Doutor, numa dessas torres esquema Medical Center, que estão super-na-moda.
Consultório cheio. Atrasou pra caramba.
Chegou minha hora. O cara até que era simpático, mas bastante polido.
Coisa de Professor Doutor, entende?
Eu estava apreensiva.
Contei minha história triste. Sentei naquela cadeira esquisita.
Doutor Blasé, indiferente ao meu ar de estranheza, pingou umas gotas cruéis nos meus olhos.
Apenas por curiosidade, pensei em perguntar se aquilo seria a versão líquida de spray de pimenta.
Ardeu pra burro.
- Doutor, arde assim mesmo?
- Sim, mas vai passar logo.
- Doutor, eu tô sozinha. O sr. tem certeza de que vou poder sair daqui dirigindo?
- Vai. Esse incômodo já vai passar.
INCÔMODO? COMO ASSIM? TENHO CACOS DE VIDRO NOS OLHOS!
Então, começou a pior parte.
- O que você consegue ler ali?
- Um borrão.
- E agora?
- Piorou.
- Melhorou?
- Médio.
- Agora?
- Err.. O sr. tá me confundindo.
E assim foi.
Sentei-me à espera do veredito.
- Fundão de garrafa, doutor?
- Como?
- Tô muito cega?
- Não, pra longe, coisa mínima. Pra perto, o normal pra idade.
Precisava jogar isso, assim, na minha cara?
Saí do consultório com a sentença anotada num receituário cheio de onda, quase elegante, e fui direto escolher os óculos.
Quase perdi a cabeça por um Guess! muito fofo, que ficou horas piscando pra mim.
Resolvi deixar a decisão pro dia seguinte. Pensei com frieza. Ele era lindo, mas uma extravagância irresponsável. Optei por um simpático e modesto Giorno, mais de acordo com as minhas posses.
Agora tô enxergando tudo. Uma maravilha. Consigo ler bula, texto legal, o diabo. Só não consigo ler o que está escrito na haste interna do Giorno. Mas deve estar em corpo 4.
O doutor Prodígio.
Eu queria também um dermato. Lembrei que a Oli tem um muito legal, mas ela tava viajando e não tinha como conseguir o telefone do cara.
Decidi continuar consultando o Oráculo, também conhecido como Manual de Orientação ao Usuário. Marquei, como de costume, aleatoriamente.
Consultório bacana, doutor novinho. Se tiver mais que 32 anos é exagero.
Eu tinha uma queixa que estava realmente me preocupando.
O rapaz matou de primeira, sem deixar sombra de dúvida: - Essa pinta na nuca é benigna, mas se quiser, eu tiro agora. Quer?
- Precisa?
- Não. Mas posso arrancar isso em dois minutos. Quer?
- Melhor deixar quieto. Até que ela é bonitinha. O cabelo cobre. :)
O dr. Comédia.
Otorrino. Doutor já na casa dos 60.
Dados pessoais. Nome, endereço, data de nascimento.
- Estado civil?
- Divorciada.
- Quantas vezes?
- Como?
- Vocês, dessa geração, costumam se divorciar a cada dois meses.
Não! De novo esse assunto, não!
- Oficialmente, uma vez só, doutor.
- Uma só? Que coisa antiga.
Hunf!
- Qual o seu problema?
Contei minha história triste.
- E esse zumbido, você percebe há quanto tempo?
- Há um tempão. Tanto que já até virou sonoplastia.
- Se é assim, então faz de conta que ele não existe.
WHAT???
Mais 10 minutos de conversa divertida jogada fora, depois do exame clínico, saí do consultório com uma pomadinha pra alergia e um pedido de audiometria.
Com a recomendação expressa: - Não tem pressa e marca retorno quando quiser, viu? Agora, me diga: qual é mesmo a música que fala de Jaçanã?
- Trem das 11, doutor. Adoniran, lembrou?
- Ah! Claro! A do filho único.
Ô, mô pai!
25 julho, 2006
Nem tudo foi só desgraça.
Naquela correria doida de última hora, lembrei que as regras do envio de caixas como excesso de bagagem são diferentes das do envio pelo correio. O problema é que eu não lembrava dos detalhes. Aqueles que podem fazer a diferença entre você embarcar ou não.
Liguei pra Bel, a criatura iluminada pelo Divino, que sempre me socorreu nesses apuros. A santa não só me orientou, como também avisou que eu poderia fazer o check-in na loja Opção do aeroporto, sem precisar ficar na fila dos pobres mortais. O tipo de mordomia que eu estava merecendo. Pareceu que os caminhos estavam se abrindo.
Ao chegar no Edu Gomes, um carregador me ajudou com o carrinho e a mocinha da loja me apresentou a um senhor com nome engraçado.
Vamos chamá-lo de Padilha.
Pois o Padilha seguiu pelo portão da Gol para providenciar o despacho da bagagem, enquanto eu me acomodava confortavelmente no sofá para assistir aos momentos decisivos d´A Viagem.
Passaram-se mais de 20 minutos e nada do Padilha.
Segundo intervalo da novela e todo mundo na loja perguntando onde estaria o Padilha.
-Xi, sujou, pensei.
Comecei a pensar coisas estranhas. Tá certo que eu tinha uma certa culpa no cartório.
Estava tudo na conformidade da lei, veja bem. O som tava com nota fiscal e manual na valise vermelha. A camêra fotográfica é antigona e o Palm, de mil novecentos e tracajá. A única coisa que poderia pegar era que o DVD player tava sem nota fiscal, por isso eu o mimetizei entre algumas peças de roupa, no fundo do mochilão.
Fiquei imaginando o Padilha, um honrado pai de família, cercado por agentes federais e cães farejadores.
Alguns minutos depois, ele surge com ar cansado, dizendo que a mocinha do check-in queria alguns esclarecimentos a respeito da bagagem.
- Putz, sujou mesmo, pensei.
Meio trêmula, eu me aproximei do balcão. Para minha grata surpresa, a moça queria saber o que tinha na caixa.
- Barbitúricos, minha filha. Remédio controlado e tudo sem receita - deu vontade de dizer.
Francamente, isso é pergunta que se faça?
Contei que tinha uma bolsa linda de morrer, uma sandália que eu adoro, alguns bichinhos de pelúcia e umas miudezinhas de última hora.
Passou.
Enquanto ela me fincava a faca sem piedade, uma moça de voz atormentada gritava no alto-falante que a aeronave do vôo 646 já se encontrava em solo.
Ou seja, sem tempo nem pro café nem pro cigarro.
Deu apenas para comprar um pãozinho de queijo, quando a moça de voz atormentada começou a gritar de novo, convidando os passageiros do vôo 646, com destino a Cumbica, para o embarque imediato.
Engoli o pãozinho e o choro a seco.
Agora, sim. Tchau, Manaus.
Valeu. E desculpa alguma coisa.
Naquela correria doida de última hora, lembrei que as regras do envio de caixas como excesso de bagagem são diferentes das do envio pelo correio. O problema é que eu não lembrava dos detalhes. Aqueles que podem fazer a diferença entre você embarcar ou não.
Liguei pra Bel, a criatura iluminada pelo Divino, que sempre me socorreu nesses apuros. A santa não só me orientou, como também avisou que eu poderia fazer o check-in na loja Opção do aeroporto, sem precisar ficar na fila dos pobres mortais. O tipo de mordomia que eu estava merecendo. Pareceu que os caminhos estavam se abrindo.
Ao chegar no Edu Gomes, um carregador me ajudou com o carrinho e a mocinha da loja me apresentou a um senhor com nome engraçado.
Vamos chamá-lo de Padilha.
Pois o Padilha seguiu pelo portão da Gol para providenciar o despacho da bagagem, enquanto eu me acomodava confortavelmente no sofá para assistir aos momentos decisivos d´A Viagem.
Passaram-se mais de 20 minutos e nada do Padilha.
Segundo intervalo da novela e todo mundo na loja perguntando onde estaria o Padilha.
-Xi, sujou, pensei.
Comecei a pensar coisas estranhas. Tá certo que eu tinha uma certa culpa no cartório.
Estava tudo na conformidade da lei, veja bem. O som tava com nota fiscal e manual na valise vermelha. A camêra fotográfica é antigona e o Palm, de mil novecentos e tracajá. A única coisa que poderia pegar era que o DVD player tava sem nota fiscal, por isso eu o mimetizei entre algumas peças de roupa, no fundo do mochilão.
Fiquei imaginando o Padilha, um honrado pai de família, cercado por agentes federais e cães farejadores.
Alguns minutos depois, ele surge com ar cansado, dizendo que a mocinha do check-in queria alguns esclarecimentos a respeito da bagagem.
- Putz, sujou mesmo, pensei.
Meio trêmula, eu me aproximei do balcão. Para minha grata surpresa, a moça queria saber o que tinha na caixa.
- Barbitúricos, minha filha. Remédio controlado e tudo sem receita - deu vontade de dizer.
Francamente, isso é pergunta que se faça?
Contei que tinha uma bolsa linda de morrer, uma sandália que eu adoro, alguns bichinhos de pelúcia e umas miudezinhas de última hora.
Passou.
Enquanto ela me fincava a faca sem piedade, uma moça de voz atormentada gritava no alto-falante que a aeronave do vôo 646 já se encontrava em solo.
Ou seja, sem tempo nem pro café nem pro cigarro.
Deu apenas para comprar um pãozinho de queijo, quando a moça de voz atormentada começou a gritar de novo, convidando os passageiros do vôo 646, com destino a Cumbica, para o embarque imediato.
Engoli o pãozinho e o choro a seco.
Agora, sim. Tchau, Manaus.
Valeu. E desculpa alguma coisa.
23 julho, 2006
Hora de pedir socorro.
Exausta de carregar tudo sozinha nas costas, liguei pra portaria e implorei que alguem viesse me ajudar com a bagagem. Era o mochilao, a mala azul, a valise vermelha, uma caixa, aquela que ficou sobrando, com miudezas que não couberam em lugar nenhum, a já famosa sacola verde de bolotas, mais a kipling azul, que largou definitivamente a academia e voltou a ser bagagem de mao.
Sem condiçoes.
Chamei um taxi e o porteiro gentil levou tudo pra mim ate o terreo.
Fechei o apartamento cor-de-rosa com um certo aperto no coraçao.
Vou sentir falta daquela varanda.
Enquanto meus ajudantes ajeitavam tudo no carro, fiquei olhando pra recepçao do predio e me lembrando das visitas queridas e amadas de Sampa que recebi em casa.
Subi no carro meio anestesiada pela dor e pela exaustao.
Ao passar pelo Samambaias, esbocei um sorriso. Em seguida, veio o Carrefour de Flores. Inevitavel não lembrar da Liginha com saudades.
Fui observando as barracas de frutas da Torquato. Bons momentos por ali.
Quando dei por mim, tava no Eduardo Gomes.
Tchau, Manaus.
Exausta de carregar tudo sozinha nas costas, liguei pra portaria e implorei que alguem viesse me ajudar com a bagagem. Era o mochilao, a mala azul, a valise vermelha, uma caixa, aquela que ficou sobrando, com miudezas que não couberam em lugar nenhum, a já famosa sacola verde de bolotas, mais a kipling azul, que largou definitivamente a academia e voltou a ser bagagem de mao.
Sem condiçoes.
Chamei um taxi e o porteiro gentil levou tudo pra mim ate o terreo.
Fechei o apartamento cor-de-rosa com um certo aperto no coraçao.
Vou sentir falta daquela varanda.
Enquanto meus ajudantes ajeitavam tudo no carro, fiquei olhando pra recepçao do predio e me lembrando das visitas queridas e amadas de Sampa que recebi em casa.
Subi no carro meio anestesiada pela dor e pela exaustao.
Ao passar pelo Samambaias, esbocei um sorriso. Em seguida, veio o Carrefour de Flores. Inevitavel não lembrar da Liginha com saudades.
Fui observando as barracas de frutas da Torquato. Bons momentos por ali.
Quando dei por mim, tava no Eduardo Gomes.
Tchau, Manaus.
Aperta que cabe.
A noite que antecedeu minha partida tambem foi completamente insone. Eu estava tao dolorida, que tinha medo de adormecer e acordar com a musculatura travada. Optei pela vigilia, embora não conseguisse fazer nada durante a madrugada a não ser pensar, pensar, pensar.
A terça -feira da partida chegou. A tarefa era arrumar as roupas limpas no mochilao e as roupas usadas e os poucos sapatos que restaram na maldita mala azul.
Coisa simples.
Foi quando me vi engolida por uma arapuca: um armario de 6 portas e 6 gavetas. Ali havia roupas que eu nem lembrava mais que existiam. E eram muitas. Começou a corrida contra o tempo. O mochilao era grande, daqueles estilo coraçao de mae. Mas não era dois. Foi o meu segundo erro: subestimar o inimigo.
Desci ate o terreo e pedi sacos de lixo. Daqueles de 100 litros. Transtornada, avisei o zelador que iria desovar tudo na porta da lixeira. Ele falou de uma senhora conhecida que costuma passar la em busca de donativos. Foi o que me salvou. A ideia de que tudo aquilo seria doado foi um estimulo a me de desfazer de um monte de coisas que eu sabia que nunca iria usar. Num ato de puro desapego, foram doados 3 sacos de 100 litros, lotados ate a boca de roupas e sapatos. Apenas pedi para que fossem buscar em casa. Não tinha mais força pra nada.
Mas ainda tinha muita coisa dentro daquele armario, das quais eu não queria me desfazer de jeito nenhum. Dava impressao que brotavam das prateleiras. E o tempo passando.
Separei roupa, lingerie e sapato para a viagem e comecei a colocar o restante na mochila. E o espaço acabando. Desespero.
Deixei as prediletas por ultimo e percebi que não iriam caber. Não havia mais tempo de pegar um taxi para comprar outra mochila.
Lembrei-me da Heidi. As meninas devem se lembrar dela. Aquela menininha orfa, nomade, que não tinha mala, por isso vestia uma roupa em cima da outra. Lembram?
Eu tava decidida a lançar mao desse recurso caso não coubesse tudo. Tava mesmo.
Entao, fiz caber, com muito esforço, suor e, logico, muita oraçao para o ziper não arrebentar. Fechou.
Aliviada, comecei a me ajeitar para o banho. Foi quando descobri que tinha esquecido de separar uma blusa. Olhei pra mochila. Respirei fundo. Abri. As roupas, amotinadas, pularam todas pra fora. Peguei a primeira blusa que vi e reiniciei o trabalho de doma-las para dentro. Foi uma luta insana. Elas comportavam-se como aliens indomaveis. Novo esforço. Novas oraçoes. Consegui. Fechou. Mas não convem abusar da sorte novamente.
E o que seria o meu ultimo banho relaxante e prolongado no meu apartamento cor-de-rosa, acabou sendo apenas uma chuveirada rapida e sem glamour.
Ao me vestir, faltava outra peça: calcinha. Olhei novamente pra mochila. Exausta, conclui: quer saber? Fui.
A noite que antecedeu minha partida tambem foi completamente insone. Eu estava tao dolorida, que tinha medo de adormecer e acordar com a musculatura travada. Optei pela vigilia, embora não conseguisse fazer nada durante a madrugada a não ser pensar, pensar, pensar.
A terça -feira da partida chegou. A tarefa era arrumar as roupas limpas no mochilao e as roupas usadas e os poucos sapatos que restaram na maldita mala azul.
Coisa simples.
Foi quando me vi engolida por uma arapuca: um armario de 6 portas e 6 gavetas. Ali havia roupas que eu nem lembrava mais que existiam. E eram muitas. Começou a corrida contra o tempo. O mochilao era grande, daqueles estilo coraçao de mae. Mas não era dois. Foi o meu segundo erro: subestimar o inimigo.
Desci ate o terreo e pedi sacos de lixo. Daqueles de 100 litros. Transtornada, avisei o zelador que iria desovar tudo na porta da lixeira. Ele falou de uma senhora conhecida que costuma passar la em busca de donativos. Foi o que me salvou. A ideia de que tudo aquilo seria doado foi um estimulo a me de desfazer de um monte de coisas que eu sabia que nunca iria usar. Num ato de puro desapego, foram doados 3 sacos de 100 litros, lotados ate a boca de roupas e sapatos. Apenas pedi para que fossem buscar em casa. Não tinha mais força pra nada.
Mas ainda tinha muita coisa dentro daquele armario, das quais eu não queria me desfazer de jeito nenhum. Dava impressao que brotavam das prateleiras. E o tempo passando.
Separei roupa, lingerie e sapato para a viagem e comecei a colocar o restante na mochila. E o espaço acabando. Desespero.
Deixei as prediletas por ultimo e percebi que não iriam caber. Não havia mais tempo de pegar um taxi para comprar outra mochila.
Lembrei-me da Heidi. As meninas devem se lembrar dela. Aquela menininha orfa, nomade, que não tinha mala, por isso vestia uma roupa em cima da outra. Lembram?
Eu tava decidida a lançar mao desse recurso caso não coubesse tudo. Tava mesmo.
Entao, fiz caber, com muito esforço, suor e, logico, muita oraçao para o ziper não arrebentar. Fechou.
Aliviada, comecei a me ajeitar para o banho. Foi quando descobri que tinha esquecido de separar uma blusa. Olhei pra mochila. Respirei fundo. Abri. As roupas, amotinadas, pularam todas pra fora. Peguei a primeira blusa que vi e reiniciei o trabalho de doma-las para dentro. Foi uma luta insana. Elas comportavam-se como aliens indomaveis. Novo esforço. Novas oraçoes. Consegui. Fechou. Mas não convem abusar da sorte novamente.
E o que seria o meu ultimo banho relaxante e prolongado no meu apartamento cor-de-rosa, acabou sendo apenas uma chuveirada rapida e sem glamour.
Ao me vestir, faltava outra peça: calcinha. Olhei novamente pra mochila. Exausta, conclui: quer saber? Fui.
O acerto final .
Pouco mais de 10h da manha, o corretor chegou para a vistoria do ap., no meio de toda aquela confusao.
Houve uma quebra contratual da minha parte, portanto eu teria que pagar o equivalente ao valor de um aluguel.
Fiz minha proposta: deixo a TV, o colchao novinho em folha, a cozinha equipada com pratos, talheres, panelas, topeuere, copos, taças, canecas e o diabo. Um imovel limpo e pronto para ser habitado amanha, se houver algum interessado.
Considerando meu comportamento impecavel como inquilina, eu me safei da multa.
Estou aprendendo a negociar. Fiquei orgulhosa de mim. :O)
Pouco mais de 10h da manha, o corretor chegou para a vistoria do ap., no meio de toda aquela confusao.
Houve uma quebra contratual da minha parte, portanto eu teria que pagar o equivalente ao valor de um aluguel.
Fiz minha proposta: deixo a TV, o colchao novinho em folha, a cozinha equipada com pratos, talheres, panelas, topeuere, copos, taças, canecas e o diabo. Um imovel limpo e pronto para ser habitado amanha, se houver algum interessado.
Considerando meu comportamento impecavel como inquilina, eu me safei da multa.
Estou aprendendo a negociar. Fiquei orgulhosa de mim. :O)
Esqueletos no armario.
Na manha do dia 05/07 ficou decidido que minha jornada amazonica estava oficialmente encerrada.
A noite, teve inicio a grande maratona, que duraria exatos 12 dias.
Ao chegar da agencia, tomei consciencia do que me esperava. Uma casa inteira pra desmontar, num trabalho braçal e solitario de escolher o que vai e o que fica.
Foram 5 dias apenas para esvaziar o movel da sala, abarrotado de documentos importantes, papeis inuteis, fotos, lembranças queridas, historias e pequenos mimos que espalhados pelo chao e pela mesa.
Foi quando ficou escancarada a minha dificuldade de estabelecer um metodo de trabalho. Eu bem que tentei. Mas o pensamento recorrente era: não vai caber na valise vermelha, que sempre foi a transportadora oficial da papelada. Tive que repensar todos os esquemas ate entao utilizados com sucesso durante 3 anos.
Passemos entao para a cozinha. Com o coraçao partido em pedacinhos, decidi que não iria levar nada dali. Nem a bomboniere de tampa cor-de-rosa. Nem o pote de florzinhas com tampa amarela. Uma decisao dolorida, mas que me rendeu bons dividendos no final. Melhor doer no coraçao do que no bolso. No desespero, este passou a ser o criterio.
Voltemos a sala, já no sexto dia. O que fazer com o que vai?
Caixas. Isso. Vou precisar de muitas caixas. E o fantasma do excesso de bagagem pela Gol me assombrando: 0,5% da tarifa cheia cada quilo. Isso doi.
Um telefonema a minha mana Ligia e fez-se a luz: Correio. Encomenda normal. Bem mais barato: R$ 12,40 o quilo, com descontos progressivos. Adoro descontos progressivos.
Eu olhava para o armario do quarto e pensava: esse ta safo. Em meia hora resolvo isso.
Pedi caixas la no mercadinho da Rita. Não deu nem pro cheiro. Muito pequenas.
Comecei a entrar em agonia. Os livros. Eram muitos deles.
Lembrei da famigerada mala azul, que estava esquecida há mais de dois anos debaixo da cadeira do quarto. Era a minha chance de me livrar dela, não sem antes lhe dar uma funçao realmente edificante. Sem avaliar nada, dispensei as roupas que vieram de Belem e acomodei todos os livros. Um problema a menos. Note como as coisas vao tomando um certo contorno. Ta certo que ilusorio, mas ainda assim um contorno.
Pedi mais caixas pra Rita. So pra embalar a bagagem da sala, foram 4 de bom tamanho.
Mais uma caixa gigante para o enxoval. Outra para bolsas e sapatos. Sobrou uma.
Na segunda-feira passada, meu prazo estava estourando. E o saco tambem.
Não dormia há duas noites, tentando equacionar como eu iria levar tudo aquilo sozinha pro correio. Contratei o entregador do mercadinho pra me acompanhar ate o shopping, que, obvio, não apareceu na hora combinada. A exaustao começava a me dominar. Com a ajuda de um carrinho de supermercado, transportei todas as caixas e a mala de livros para o terreo. Temperatura local: 36 graus Celsius.
O porteiro e o taxista colocaram as coisas no carro. Ao chegar no shopping, um outro taxista conhecido veio nos ajudar a levar tudo ate o correio e pela primeira vez, em 11 dias, tive uma ajuda efetiva.
Ao chegar no correio, nova trapalhada: não se despacha mala por encomenda. So caixa. E la vou eu zanzar pelo shopping, mendicando caixas no Carrefour. Não tinha. Na livraria tambem não. So fui encontrar uma no deposito de lixo. A única limpinha que achei parecia um basset gigante. Passei os livros da mala para a caixa basset. Depois de pesada [18,4Kg] e lacrada, a funcionaria do correio descobriu que não poderia despachar: cubagem fora do padrao. La fui eu de novo. Achei uma alma caridosa numa loja de sapatos, que me cedeu uma caixa no tamanho adequado.
Quase duas horas depois, parte da minha bagagem tomou rumo de casa. Peso total: 53,8Kg. Pesava mais que eu.
Voltei pro ap. me sentindo um pouco mais leve e com a maldita mala azul debaixo do braço.
Disso tudo sobrou uma liçao: tenho que libertar a Dona Violeta que habita o meu ser. Nunca mais vou juntar tanta tralha na vida. Senti na pele o trabalho e a dor que isso traz.
Na manha do dia 05/07 ficou decidido que minha jornada amazonica estava oficialmente encerrada.
A noite, teve inicio a grande maratona, que duraria exatos 12 dias.
Ao chegar da agencia, tomei consciencia do que me esperava. Uma casa inteira pra desmontar, num trabalho braçal e solitario de escolher o que vai e o que fica.
Foram 5 dias apenas para esvaziar o movel da sala, abarrotado de documentos importantes, papeis inuteis, fotos, lembranças queridas, historias e pequenos mimos que espalhados pelo chao e pela mesa.
Foi quando ficou escancarada a minha dificuldade de estabelecer um metodo de trabalho. Eu bem que tentei. Mas o pensamento recorrente era: não vai caber na valise vermelha, que sempre foi a transportadora oficial da papelada. Tive que repensar todos os esquemas ate entao utilizados com sucesso durante 3 anos.
Passemos entao para a cozinha. Com o coraçao partido em pedacinhos, decidi que não iria levar nada dali. Nem a bomboniere de tampa cor-de-rosa. Nem o pote de florzinhas com tampa amarela. Uma decisao dolorida, mas que me rendeu bons dividendos no final. Melhor doer no coraçao do que no bolso. No desespero, este passou a ser o criterio.
Voltemos a sala, já no sexto dia. O que fazer com o que vai?
Caixas. Isso. Vou precisar de muitas caixas. E o fantasma do excesso de bagagem pela Gol me assombrando: 0,5% da tarifa cheia cada quilo. Isso doi.
Um telefonema a minha mana Ligia e fez-se a luz: Correio. Encomenda normal. Bem mais barato: R$ 12,40 o quilo, com descontos progressivos. Adoro descontos progressivos.
Eu olhava para o armario do quarto e pensava: esse ta safo. Em meia hora resolvo isso.
Pedi caixas la no mercadinho da Rita. Não deu nem pro cheiro. Muito pequenas.
Comecei a entrar em agonia. Os livros. Eram muitos deles.
Lembrei da famigerada mala azul, que estava esquecida há mais de dois anos debaixo da cadeira do quarto. Era a minha chance de me livrar dela, não sem antes lhe dar uma funçao realmente edificante. Sem avaliar nada, dispensei as roupas que vieram de Belem e acomodei todos os livros. Um problema a menos. Note como as coisas vao tomando um certo contorno. Ta certo que ilusorio, mas ainda assim um contorno.
Pedi mais caixas pra Rita. So pra embalar a bagagem da sala, foram 4 de bom tamanho.
Mais uma caixa gigante para o enxoval. Outra para bolsas e sapatos. Sobrou uma.
Na segunda-feira passada, meu prazo estava estourando. E o saco tambem.
Não dormia há duas noites, tentando equacionar como eu iria levar tudo aquilo sozinha pro correio. Contratei o entregador do mercadinho pra me acompanhar ate o shopping, que, obvio, não apareceu na hora combinada. A exaustao começava a me dominar. Com a ajuda de um carrinho de supermercado, transportei todas as caixas e a mala de livros para o terreo. Temperatura local: 36 graus Celsius.
O porteiro e o taxista colocaram as coisas no carro. Ao chegar no shopping, um outro taxista conhecido veio nos ajudar a levar tudo ate o correio e pela primeira vez, em 11 dias, tive uma ajuda efetiva.
Ao chegar no correio, nova trapalhada: não se despacha mala por encomenda. So caixa. E la vou eu zanzar pelo shopping, mendicando caixas no Carrefour. Não tinha. Na livraria tambem não. So fui encontrar uma no deposito de lixo. A única limpinha que achei parecia um basset gigante. Passei os livros da mala para a caixa basset. Depois de pesada [18,4Kg] e lacrada, a funcionaria do correio descobriu que não poderia despachar: cubagem fora do padrao. La fui eu de novo. Achei uma alma caridosa numa loja de sapatos, que me cedeu uma caixa no tamanho adequado.
Quase duas horas depois, parte da minha bagagem tomou rumo de casa. Peso total: 53,8Kg. Pesava mais que eu.
Voltei pro ap. me sentindo um pouco mais leve e com a maldita mala azul debaixo do braço.
Disso tudo sobrou uma liçao: tenho que libertar a Dona Violeta que habita o meu ser. Nunca mais vou juntar tanta tralha na vida. Senti na pele o trabalho e a dor que isso traz.
06 julho, 2006
29 junho, 2006

[The day after]
Tive uma noite esquisita. Sono agitado e intermitente. Só consegui adormecer mesmo quase com o dia clareando. Sonho esquisito com Mr. Ghost. Procurávamos pelo meu carro no estacionamento de um shopping bizarro.
Despertei sentindo a dimensão real do acidente. Um galo na cabeça, o pescoço doendo além do normal e o pulso direito meio seqüelado.
Não fui malhar. Eu me sentia frágil e desanimada.
Vai passar.
28 junho, 2006

[Eu devia me levar mais a sério]
Veja você como são as coisas.
Acordei às 6h da madruga, como sempre.
Enrolei o que deu, assisti Third Watch, Mais Você, Cartoon. Preparei sanduiche pra levar, tomei banho mais demorado do que de costume.
Algo me dizia pra não sair de casa, mas não havia o que alegar, a não ser a ausência total de vergonha na cara.
Chamei o táxi. Meu celular tocou. Não deu tempo de atender. Retornei a ligação. Interurbano. Difícil de completar. O carro já devia ter chegado há séculos e eu ainda tentando resolver o envio de documentação importante, naquele horário improvável.
Começou a chover forte. Meu lado torrão de açúcar implorava por permanecer no ócio seguro.
Fui madura. Resolvi encarar minhas obrigações.
Trânsito quase lento, apesar do adiantado da hora. O motorista mudou de faixa. Freou bruscamente.
Só lembro de ter sentido a porrada e uma dor desumana na cabeça. Não sei quanto tempo levou.
Chegou outro táxi para continuar a viagem. Lembro de ter visto o estrago no pára-choque da Ranger que bateu atrás.
Tive um impulso de pedir pro motorista parar no 28 (um PS fuleragem). Achei arriscado.
Narrei o acontecido no trampo. Os coleguinhas amargaram uma certa esperança de que, com a porrada, minhas idéias voltassem pro lugar. Não rolou.
Minha cabeça dói.
26 junho, 2006
21 junho, 2006
[Pra comer com os olhos]
Sábado, meio da tarde. Final de compras no shopping, sempre bate aquela fominha. Saímos sem destino, eu e Oli. Decidi ir a um lugar que há muito eu adorava, mas que por razões insanas, passei a evitar. Bobagem. Ela topou na hora.
Outback.
Tava com saudade daquilo. Decoração bacaninha, música boa, gente bonita. Tudo que eu tenho precisado ultimamente.
Sentamos naquelas mesas com banco de metrô, só que de madeira, e lustre pendurado na altura do nariz.
- Boa tarde, meninas!
Taí uma frase que atingiu em cheio o público pagante. No caso, eu.
Fê, o maitre Carninha Tenra, disse que iria cuidar da gente. Uau.
Quem me conhece, sabe que essa faixa etária não é exatamente o meu target. Tratava-se apenas de uma mera apreciação estética. E que estética.
Escolhemos nossos sanduíches e o fofo se encarregou de manter nossas canecas de refrigerante abastecidas a todo minuto. Era um momento para saborear a comida com calma, apreciar a paisagem, enquanto entre nós, as meninas, rolava uma conversa fiada da melhor qualidade.
Carninha Tenra, sempre atento ao exercício de sua função, cuidava de garantir que tudo estivesse certinho.
- E aí, meninas? O sanduíche de vocês tá legal?
- Ferfeitu..
- Quer mais Coca-Cola?
- Hum, hum.
Por que Carninha Tenra tinha que perguntar logo quando eu estava de boca cheia? Menino mau.
De sobremesa, derrubamos uma torre gigante de brownie, sorvete de creme, chantili e calda de chocolate. O café, a conta e a alma lavada de tanto rir, em 1h40 de pura diversão.
E, quer mesmo saber? Comi um Mad Max. Carninha Tenra que serviu :O)
Sábado, meio da tarde. Final de compras no shopping, sempre bate aquela fominha. Saímos sem destino, eu e Oli. Decidi ir a um lugar que há muito eu adorava, mas que por razões insanas, passei a evitar. Bobagem. Ela topou na hora.
Outback.
Tava com saudade daquilo. Decoração bacaninha, música boa, gente bonita. Tudo que eu tenho precisado ultimamente.
Sentamos naquelas mesas com banco de metrô, só que de madeira, e lustre pendurado na altura do nariz.
- Boa tarde, meninas!
Taí uma frase que atingiu em cheio o público pagante. No caso, eu.
Fê, o maitre Carninha Tenra, disse que iria cuidar da gente. Uau.
Quem me conhece, sabe que essa faixa etária não é exatamente o meu target. Tratava-se apenas de uma mera apreciação estética. E que estética.
Escolhemos nossos sanduíches e o fofo se encarregou de manter nossas canecas de refrigerante abastecidas a todo minuto. Era um momento para saborear a comida com calma, apreciar a paisagem, enquanto entre nós, as meninas, rolava uma conversa fiada da melhor qualidade.
Carninha Tenra, sempre atento ao exercício de sua função, cuidava de garantir que tudo estivesse certinho.
- E aí, meninas? O sanduíche de vocês tá legal?
- Ferfeitu..
- Quer mais Coca-Cola?
- Hum, hum.
Por que Carninha Tenra tinha que perguntar logo quando eu estava de boca cheia? Menino mau.
De sobremesa, derrubamos uma torre gigante de brownie, sorvete de creme, chantili e calda de chocolate. O café, a conta e a alma lavada de tanto rir, em 1h40 de pura diversão.
E, quer mesmo saber? Comi um Mad Max. Carninha Tenra que serviu :O)
[Mamãe não tem noção II]
Meu celular e o da Oli são gêmeos idênticos. Ambos repusavam inertes sobre o mesmo móvel. Foi quando eu vi Oli pegar o meu por engano. Alertei sobre o risco da merda que isso poderia dar.
Ela tentou diferenciar os dois. Avisei:
- A careta do seu bonequinho é mais meiga.
- Deixa eu ver a diferença de peso?.. Hum, o seu é mais pesado.
- Óbvio. O meu tem 38 mensagens acumuladas na caixa de entrada, fia.
- Mãã-ee!!!
- ;O)))
Meu celular e o da Oli são gêmeos idênticos. Ambos repusavam inertes sobre o mesmo móvel. Foi quando eu vi Oli pegar o meu por engano. Alertei sobre o risco da merda que isso poderia dar.
Ela tentou diferenciar os dois. Avisei:
- A careta do seu bonequinho é mais meiga.
- Deixa eu ver a diferença de peso?.. Hum, o seu é mais pesado.
- Óbvio. O meu tem 38 mensagens acumuladas na caixa de entrada, fia.
- Mãã-ee!!!
- ;O)))
[Três gerações]
Depois de muitos e muitos anos, saímos eu, Ciça-mãe e Oli pra almoçar. Só nóises. :O)
Galetto?s do Kino. Comida boa e espumante gostoso pra brindar, porque a ocasião merecia.
Aproveitamos pra rir das próprias desgraças. E rimos muito. Mas muito mesmo. Haja desgraça.
Sorvete na Parmalat. Cappuccino na padoca cor-de-rosa pra fechar.
Tarde perfeita.
Depois de muitos e muitos anos, saímos eu, Ciça-mãe e Oli pra almoçar. Só nóises. :O)
Galetto?s do Kino. Comida boa e espumante gostoso pra brindar, porque a ocasião merecia.
Aproveitamos pra rir das próprias desgraças. E rimos muito. Mas muito mesmo. Haja desgraça.
Sorvete na Parmalat. Cappuccino na padoca cor-de-rosa pra fechar.
Tarde perfeita.

Diário de Bordo - Transcrições
[Cadê a frente fria que estava aqui?]
Voei compactada na poltrona 13 F, entre um obeso e um hiperativo.
Li boa parte do A Era do Escândalo. Primeiro capítulo: a queda do Foker 100, da TAM, em Congonhas. Gosto de emoções fortes.
Aterrisei em Sampa de noitão.
Frio confortável. Nada assustador.
Minha mãe, preocupadíssima, tinha separado 1 pijama de flanela, 2 cobertores e 2 colchas. Só pra mim.
E me obrigou a usar tudo.
Possuída pela exaustão, obedeci.
Acordei suando em bicas.
09 junho, 2006
08 junho, 2006

Já chega.
Eu não agüento mais ouvir falar em Copa. Escalação. Castelo alemão. Chucrute.
Cerveja (veja a que ponto cheguei). Receitas de docinhos pigmentados com anilina verde e amarela. Ou sanduiches com recheios alternados de espinafre e molho ao curry.
Não agüento mais ouvir piadinha de loira vendo jogo.
Nem notícias dos pés do Ronaldinho, o bolha. E agora também tem Ronaldinho, o bunda.
Não vou nem falar o que estou pensando. Imagino que vocês tenham chutado o que é.
29 maio, 2006
26 maio, 2006
25 maio, 2006

Caminho Suave.
Hoje, o computador da academia comandou, em letras garrafais, que eu procurasse meu professor. Completei 7 treinamentos [sic]. Série encerrada. Eu me senti ganhando uma estrelinha na lição de casa. Faltei bastante no começo e ainda teve a viagem imprevista.
Então comecei a 2a série, feliz como uma criança. Do primário.
Depois eu conto dos meus novos amiguinhos.
23 maio, 2006
19 maio, 2006

Body Balance.
O cartazete novo no painel de escada convidava para uma aula experimental grátis.
Em síntese, é uma modalidade híbrida de yoga + tai chi + pilates, que jura combater o stress, dores na coluna e todas aquelas coisas que fazem a gente sofrer.
As imagens mostram mulheres praticando contorcionismo bizarro, com sorriso plácido nos lábios. Impressionante.
Confesso que gerou uma certa curiosidade e pensei em me inscrever.
Desisti. Não tenho tamanha elevação de espírito.

Slowly.
Os ganhos na balança não seguem o ritmo animado que estava em São Paulo.
Por aqui houve um certo retrocesso. Culpa do coentro, meu eterno algoz.
Por outro lado, a academia tem sido a hora do recreio. Não preciso nem pousar de hamster por 30 minutos na esteira, pra poupar energia. A de pagar mico, inclusive.
Vou quando quero, ou seja: 2 vezes por semana.
Uma disciplina tibena praticamente.
Os aparelhos usados na temporada balofa 2005 eram mais legais. Os de agora são bem mais puxados [sem trocadilho]. Exigem mais esforço e concentração.
Faço a série completa, tomo banho e almoço por lá mesmo, vendo TV.
Não existe a ansiedade de perder. Só o esforço de ganhar.
Sem pressa.

Reformas internas.
O teto da varanda está quase são. A massa corrida, ainda em fase de secagem, cobre os rombos aparentes, o que dá um certo alívio. Não está perfeito, mas já posso olhar o céu e o horizonte sem aquela sensação horripilante de que o mundo tá desabando.
Duas demãos de tinta e tudo volta ao que era antes.
Devagar, as coisas vão indo.
Devagar também outras vão voltar.
[suspiros]
Amém.
17 maio, 2006

Diálogos internos I.
Superego, o ser bruto.
[São Paulo, noite fria no início de maio. Quase chegando em casa, surge a voz]
Super: - Por que você fez aquilo?
Eu: - O quê?
Super: - Aquilo.
Eu: - Ora, bobagem. Eu tava distraída.
Super: - Não pode ser assim, você tem que prestar mais atenção.
Eu:- Tá. Errei o caminho. Perdi a entrada certa. Fui até prudente. Parei no posto. O frentista me ensinou como sair de lá.
Super: - Você foi parar na Cupecê, Ana. Quase pegou o acesso pra Cidade Ademar. Sozinha. Tarde da noite. Sabe o que é isso? Queria virar assunto no Datena? Queria?
Eu: - Tá. Foi cagada. Obrigada por se preocupar. Meu pensamentos estavam distantes. Cabeça na lua.
Super:- Isso. Fica assim, com a cabeça a 13 andares do solo e, dia desses, vai acordar a 7 palmos da terra.
Eu:- [bocejos] Ignorante.
16 maio, 2006
Não foi nada fácil.
Ontem, passei o dia atrás de notícias, desde a hora que me levantei e vi as primeiras imagens nos noticários da manhã.
Na hora do almoço fui pra casa acompanhar os telejornais. Fiquei assustada ao ver que a Record tinha suspendido a programação e fazia cobertura ao vivo. Soube depois que a Globo fez o mesmo. Minha vontade era pegar o primeiro avião e ver as pessoas que eu amo. Fui covarde e fiquei.
No fim do dia, a coisa também tava braba por aqui. Trânsito caótico. Mais de 40 minutos para percorrer um trecho que não leva mais do que 15.
Cheguei em casa com tudo às escuras. Apagão em boa parte da cidade, sem previsão de volta. Localizei um maço de velas sobre o fogão. Acendi duas e as coloquei no cinzeiro que nunca uso. Fui pra varanda sentindo uma inquietação insuportável.
Chamei um táxi. Na recepção do prédio, os vizinhos se aglomeravam em volta da TV alimentada pelo gerador. No Jornal Nacional o assunto era futebol. Que saco!
Fui ao supermercado para compras rápidas. Esqueci dos cigarros.
De volta, as velas ainda ardiam na varanda. Aproveitei aquela luz pra escrever bobagens que me divertem. Impublicáveis.
O telefone tocou. Calma nessa hora.
Eram apenas as notícias que eu espera: apesar do susto e da tensão, todos estavam bem.
Continuei os registros dos meus diálogos internos e nem percebi quando a energia voltou.
Esperei as velas terminarem e só então liguei a TV.
Diazinho de merda.
Ontem, passei o dia atrás de notícias, desde a hora que me levantei e vi as primeiras imagens nos noticários da manhã.
Na hora do almoço fui pra casa acompanhar os telejornais. Fiquei assustada ao ver que a Record tinha suspendido a programação e fazia cobertura ao vivo. Soube depois que a Globo fez o mesmo. Minha vontade era pegar o primeiro avião e ver as pessoas que eu amo. Fui covarde e fiquei.
No fim do dia, a coisa também tava braba por aqui. Trânsito caótico. Mais de 40 minutos para percorrer um trecho que não leva mais do que 15.
Cheguei em casa com tudo às escuras. Apagão em boa parte da cidade, sem previsão de volta. Localizei um maço de velas sobre o fogão. Acendi duas e as coloquei no cinzeiro que nunca uso. Fui pra varanda sentindo uma inquietação insuportável.
Chamei um táxi. Na recepção do prédio, os vizinhos se aglomeravam em volta da TV alimentada pelo gerador. No Jornal Nacional o assunto era futebol. Que saco!
Fui ao supermercado para compras rápidas. Esqueci dos cigarros.
De volta, as velas ainda ardiam na varanda. Aproveitei aquela luz pra escrever bobagens que me divertem. Impublicáveis.
O telefone tocou. Calma nessa hora.
Eram apenas as notícias que eu espera: apesar do susto e da tensão, todos estavam bem.
Continuei os registros dos meus diálogos internos e nem percebi quando a energia voltou.
Esperei as velas terminarem e só então liguei a TV.
Diazinho de merda.
11 maio, 2006
10 maio, 2006
Zzz.
Trabalho hercúleo o de arrumar a cama.
Colcão pesado. Difícil de levantar.
Dei meu jeito. O edredon ainda é o antigo, de modo que lembra uma toalhinha sobre uma mesa de jantar.
Vesti camisola cheirosa e acendi incenso gostoso. Ficou bom.
Às 22h, já tava caindo de sono na sala. Não resisti e capotei.
Só fui despertar às 7h. Levantei sonolenta, mas disposta.
Voltei a me sentir um pouco mais em casa. Só um pouco.
Sono de boa qualidade pode fazer milagre.
Trabalho hercúleo o de arrumar a cama.
Colcão pesado. Difícil de levantar.
Dei meu jeito. O edredon ainda é o antigo, de modo que lembra uma toalhinha sobre uma mesa de jantar.
Vesti camisola cheirosa e acendi incenso gostoso. Ficou bom.
Às 22h, já tava caindo de sono na sala. Não resisti e capotei.
Só fui despertar às 7h. Levantei sonolenta, mas disposta.
Voltei a me sentir um pouco mais em casa. Só um pouco.
Sono de boa qualidade pode fazer milagre.
Again.
Embarque péssimo em Cumbica. Odeio aquele aeroporto que sempre me traz recordações péssimas,
Cheguei em Manaus no início da tarde de ontem, sob um forte temporal.
Fui direto pro trabalho, de mala e cuia. Nada de extraordinário aconteceu durante minha ausência.
Voltei pra casa com um nó na garganta.
Ao abrir a porta, encontrei uma casa limpa e quase arrumada, o que me deu uma sensação de alívio e aconchego.
As malas, implorando para serem desfeitas e o corpo exausto, gritando pelo dolce far niente.
Não tinha por onde escapar. Muito a fazer. Uma cama nova pra arrumar. Roupas pra separar.
A Kipling azul deixou a função repentina de bagagem de mão e voltou a ser sacola de academia.
Tudo tem me obrigado a ser forte.
É melhor mesmo eu malhar.
Embarque péssimo em Cumbica. Odeio aquele aeroporto que sempre me traz recordações péssimas,
Cheguei em Manaus no início da tarde de ontem, sob um forte temporal.
Fui direto pro trabalho, de mala e cuia. Nada de extraordinário aconteceu durante minha ausência.
Voltei pra casa com um nó na garganta.
Ao abrir a porta, encontrei uma casa limpa e quase arrumada, o que me deu uma sensação de alívio e aconchego.
As malas, implorando para serem desfeitas e o corpo exausto, gritando pelo dolce far niente.
Não tinha por onde escapar. Muito a fazer. Uma cama nova pra arrumar. Roupas pra separar.
A Kipling azul deixou a função repentina de bagagem de mão e voltou a ser sacola de academia.
Tudo tem me obrigado a ser forte.
É melhor mesmo eu malhar.
09 maio, 2006
One Art
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
-- Elizabeth Bishop
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
-- Elizabeth Bishop
Probrema na logistica.
Quatro horas antes de embarcar pra Sampa, comprei um colchao. Pro ap. de Manaus, claro.
Eu fiz isso. Juro. Descontrol total. Não tente entender.
Quando eu deveria estar organizando a bagagem, triando roupas e livros, estava plantada na sofa, esperando a entrega da mercadoria.
Colchao bonito. Grandao. Uma beleza. Já ate paguei a primeira prestaçao.
O bicho eh grande mesmo, de modo que o enxoval teve que ser renovado como um todo. Precisa de protetor e lençois no tamanho adequado. Achei uma loja otima, perto da casa da minha mae.
E agora eu to aqui, olhando pros pacotes, tentando arquitetar como vou levar essa porra toda no aviao.
Na mala não cabe. Nem pense.
Vai ser mico na certa.
Acredita que ainda nem testei o dito? Entregaram em casa, sessao comedia, e pouco mais de duas horas depois, embarquei.
Foi o tempo de fazer as malas, na correria. E ca estou.
Ainda quero crer que foi um negocio da China.
Minha fe permanece inabalavel.
Quatro horas antes de embarcar pra Sampa, comprei um colchao. Pro ap. de Manaus, claro.
Eu fiz isso. Juro. Descontrol total. Não tente entender.
Quando eu deveria estar organizando a bagagem, triando roupas e livros, estava plantada na sofa, esperando a entrega da mercadoria.
Colchao bonito. Grandao. Uma beleza. Já ate paguei a primeira prestaçao.
O bicho eh grande mesmo, de modo que o enxoval teve que ser renovado como um todo. Precisa de protetor e lençois no tamanho adequado. Achei uma loja otima, perto da casa da minha mae.
E agora eu to aqui, olhando pros pacotes, tentando arquitetar como vou levar essa porra toda no aviao.
Na mala não cabe. Nem pense.
Vai ser mico na certa.
Acredita que ainda nem testei o dito? Entregaram em casa, sessao comedia, e pouco mais de duas horas depois, embarquei.
Foi o tempo de fazer as malas, na correria. E ca estou.
Ainda quero crer que foi um negocio da China.
Minha fe permanece inabalavel.
Novo vicio.
Comprar café na padaria do bairro, toda manha.. Pra viagem.
Enquanto o balconista prepara, voce fica de butuca na TV, vendo o noticiario. Rapidinho.
Entao voce volta pra casa, liga o radio, o computador, faz planos e a vida segue seu curso.
Ta certo que o café poderia ser de melhor qualidade. Bem melhor, diga-se. Mas dah um certo clima legal.
Não sei como passei esse tempo todo sem fazer isso.
E tambem não sei como vou viver.
Misterio
Comprar café na padaria do bairro, toda manha.. Pra viagem.
Enquanto o balconista prepara, voce fica de butuca na TV, vendo o noticiario. Rapidinho.
Entao voce volta pra casa, liga o radio, o computador, faz planos e a vida segue seu curso.
Ta certo que o café poderia ser de melhor qualidade. Bem melhor, diga-se. Mas dah um certo clima legal.
Não sei como passei esse tempo todo sem fazer isso.
E tambem não sei como vou viver.
Misterio
Ponta de estoque.
Eu e Oli fomos comprar sapato que combine com o vestido poderoso.
Loja manjada em Moema.
Lotaçao cruel de mulheres histericas.
Preciso de uma sandalia nova. Urgente. Não encontrei nenhuma.
Meu grau de exigencia anda insuportavel.
Oli garimpou um scarpin lindo. Preço idem.
Ela sabe das coisas.
Eu e Oli fomos comprar sapato que combine com o vestido poderoso.
Loja manjada em Moema.
Lotaçao cruel de mulheres histericas.
Preciso de uma sandalia nova. Urgente. Não encontrei nenhuma.
Meu grau de exigencia anda insuportavel.
Oli garimpou um scarpin lindo. Preço idem.
Ela sabe das coisas.
Momento Becky Bloom.
Orientei a Oli na compra de um vestido para uma festa importante.
Um tomara-que-caia que beira a perfeiçao. Da Mercearia. Marrom, na altura do joelho. De renda. Um classico.
Dei de presente um colar totalmente vintage.
Com toda cara de herança da bisavo. Lindo.
Mae eh pra essas coisas.
Se bem que minhas intençoes sao as piores possiveis. :)
Orientei a Oli na compra de um vestido para uma festa importante.
Um tomara-que-caia que beira a perfeiçao. Da Mercearia. Marrom, na altura do joelho. De renda. Um classico.
Dei de presente um colar totalmente vintage.
Com toda cara de herança da bisavo. Lindo.
Mae eh pra essas coisas.
Se bem que minhas intençoes sao as piores possiveis. :)
07 maio, 2006
Momento Gilmore Girls - Juntas, enfim, na padoca cor-de-rosa.
Ela, de capuccino trufado e pao na chapa.
Eu, de moka e pao na chapa.
Tem inicio a sessao comedia.
Eu: - Eh, a gente não pode dizer ``nossa, que pao lindo, mas eh um pao aceitavel.``
Ela: - O café ta bom.
Eu- Tah bonito.
Ela: - A gente acabou perdendo a novela [A Viagem - Vale a Pena ver de Novo]
Eu- Puta merda. Meu ultimo dia util por aqui. E perdemos a novela!
Ela:- Odeio voce. Voce e a manicure contaram o final.
Eu: - Todo mundo sabe como acaba. E na manicure, soh se fala sobre novela mesmo.
Ela: - Voce não vai ver mais, ne?
Eu:- Acho que voltando pra Manaus, vou na manicure todo dia, na hora do almoço. Viciei.La tem TV.
Ela: - Gargalhadas.
Eu:- Simples: segunda-feira, faço a mao direita. Na terça, a esquerda. Na quarta, o pe direito e assim por diante.
Ela, gargalhando: - Tah, entendi, mas e na sexta?
Eu: - Depilaçao, ue. A gente sempre tem coisa pra fazer num salao de beleza. :D
Voltamos pra casa e assistimos Crash, sob o edredom, no sofa da sala.
Mas a historia na padoca cor-de-rosa continua.
Ela, de capuccino trufado e pao na chapa.
Eu, de moka e pao na chapa.
Tem inicio a sessao comedia.
Eu: - Eh, a gente não pode dizer ``nossa, que pao lindo, mas eh um pao aceitavel.``
Ela: - O café ta bom.
Eu- Tah bonito.
Ela: - A gente acabou perdendo a novela [A Viagem - Vale a Pena ver de Novo]
Eu- Puta merda. Meu ultimo dia util por aqui. E perdemos a novela!
Ela:- Odeio voce. Voce e a manicure contaram o final.
Eu: - Todo mundo sabe como acaba. E na manicure, soh se fala sobre novela mesmo.
Ela: - Voce não vai ver mais, ne?
Eu:- Acho que voltando pra Manaus, vou na manicure todo dia, na hora do almoço. Viciei.La tem TV.
Ela: - Gargalhadas.
Eu:- Simples: segunda-feira, faço a mao direita. Na terça, a esquerda. Na quarta, o pe direito e assim por diante.
Ela, gargalhando: - Tah, entendi, mas e na sexta?
Eu: - Depilaçao, ue. A gente sempre tem coisa pra fazer num salao de beleza. :D
Voltamos pra casa e assistimos Crash, sob o edredom, no sofa da sala.
Mas a historia na padoca cor-de-rosa continua.
Momento Gilmore Girls - Em busca dos minissonhos perdidos.
Deixamos o hospital e todas as recordaçoes decorrentes.
Sigo sozinha, com meu carro, atras de uma padoca bacana.
Paro na padoca cor-de-rosa. Dali soh pode sair coisa boa, mesmo que o pao seja uma bosta e o suco, de caixinha.
Minissonho? Nem pra remedio.
Saio de la com a sensaçao de que esse mundo ta mesmo perdido.
Os melhores minissonhos do universo, ou os melhores sonhos gigantes do planeta deveriam ser fabricados justamente numa padaria cor-de-rosa.
Não eh bem assim.
Encontrei minissonhos bem fresquinhos, em outro lugar. Mas não com o mesmo encanto. Faltava baunilha. Existe coisa mais cor-de-rosa do que o sabor de baunilha?
Deixamos o hospital e todas as recordaçoes decorrentes.
Sigo sozinha, com meu carro, atras de uma padoca bacana.
Paro na padoca cor-de-rosa. Dali soh pode sair coisa boa, mesmo que o pao seja uma bosta e o suco, de caixinha.
Minissonho? Nem pra remedio.
Saio de la com a sensaçao de que esse mundo ta mesmo perdido.
Os melhores minissonhos do universo, ou os melhores sonhos gigantes do planeta deveriam ser fabricados justamente numa padaria cor-de-rosa.
Não eh bem assim.
Encontrei minissonhos bem fresquinhos, em outro lugar. Mas não com o mesmo encanto. Faltava baunilha. Existe coisa mais cor-de-rosa do que o sabor de baunilha?
Momento Gilmore Girls - Noite quase fria de domingo, vespera de feriado.
Deixo o quarto do hospital perguntando se ela queria alguma coisa.
Saio em busca da encomenda.
Padaria da esquina fechada. Como pode? Antes das 20h? Jura que estou em Sampa?
Paro pra jantar no Shopping Paulista.
Como um pao de batata, sem graça e sem sabor.
Paro pra tomar café. [note que meu teclado acentua quando bem entende]
Café sem graça e sem aquela espuma que faz toim-oim-oim. Shit.
Compro cigarros e uma pequena surpresa, pra não voltar de maos abanando.
Caminho pela rua sentindo a brisa fria, maos no bolso, surpresa na bolsa, pensando na vida.
Volto pro quarto do hospital, decepcionada pela derrota no desempenho da tarefa tao simples.
O desejo era apenas minissonhos, que não consegui encontrar.
- Como voce adivinhou? Adoro brigadeiro de colher!
Eh. Sem querer, a gente acerta
Deixo o quarto do hospital perguntando se ela queria alguma coisa.
Saio em busca da encomenda.
Padaria da esquina fechada. Como pode? Antes das 20h? Jura que estou em Sampa?
Paro pra jantar no Shopping Paulista.
Como um pao de batata, sem graça e sem sabor.
Paro pra tomar café. [note que meu teclado acentua quando bem entende]
Café sem graça e sem aquela espuma que faz toim-oim-oim. Shit.
Compro cigarros e uma pequena surpresa, pra não voltar de maos abanando.
Caminho pela rua sentindo a brisa fria, maos no bolso, surpresa na bolsa, pensando na vida.
Volto pro quarto do hospital, decepcionada pela derrota no desempenho da tarefa tao simples.
O desejo era apenas minissonhos, que não consegui encontrar.
- Como voce adivinhou? Adoro brigadeiro de colher!
Eh. Sem querer, a gente acerta
O Salvador da Patria. [meu teclado continua sem acento. Sorry]
Minha casa viveu sob um silencio sepulcral ate quinta-feira.
TV a cabo desligada, sem som, sem esperança de vida inteligente. Isso estava me enchendo de tedio.
A noite, achei um aparelho veeelho, datado do inicio da decada de 90. Um paraibao empoeirado, duplo deck. Com AM e FM.
Por um milagre dos Ceus, sem ter sido necessario recorrer ao expediente de São Longuinho, localizei o cabo de conexao, em meio a zona sem criterio que virou isso daqui.
Passei a ouvir vozes, e não eram as da minha cabeça. J
Resultado: 89 FM na veia. Dia e noite. E tambem nas horas vagas.
Um ato de bravura, devo reconhecer meu merito e coragem.
Red Hot, Oasis, R.E.M., James You´´re Beatyfull Blunt, Pearl Jam, Jack Johnson (o fo-fo mor do planeta Terra). Tudo que eu julgava não ser mais capaz de ouvir, rolou.
Sem sangue.
O bicho soh pegou numa certa cançao do Coldplay. Aquela.
Eh pedir demais, tambem. Um desconto, plizz.
Minha casa viveu sob um silencio sepulcral ate quinta-feira.
TV a cabo desligada, sem som, sem esperança de vida inteligente. Isso estava me enchendo de tedio.
A noite, achei um aparelho veeelho, datado do inicio da decada de 90. Um paraibao empoeirado, duplo deck. Com AM e FM.
Por um milagre dos Ceus, sem ter sido necessario recorrer ao expediente de São Longuinho, localizei o cabo de conexao, em meio a zona sem criterio que virou isso daqui.
Passei a ouvir vozes, e não eram as da minha cabeça. J
Resultado: 89 FM na veia. Dia e noite. E tambem nas horas vagas.
Um ato de bravura, devo reconhecer meu merito e coragem.
Red Hot, Oasis, R.E.M., James You´´re Beatyfull Blunt, Pearl Jam, Jack Johnson (o fo-fo mor do planeta Terra). Tudo que eu julgava não ser mais capaz de ouvir, rolou.
Sem sangue.
O bicho soh pegou numa certa cançao do Coldplay. Aquela.
Eh pedir demais, tambem. Um desconto, plizz.
04 maio, 2006
Dia gentil comigo
Noite anterior em paz, apesar da rotina punk.
Estou revisitando minha cidade. Do meu jeito, conforme a demanda. Nao vim a passeio.
Os caminhos podem ser os mais longos ou os mais congestionados, desde que sejam os mais bonitos. Preciso disso.
Tarde empanturrada de paezinhos de queijo, minissonhos da Ceci e filme tolo com Oli, no Paraiso. Delicia.
Passei, no inicio da noite, pelo acesso para a Republica do Libano. Ibira.
O transito cruel me fez lembrar recomendaçoes de Ferreira Santos: paradas estrategicas.
Comprei isqueiros, salada de frutas e vitamina de clorofila. Agora sim, a passeio.
Fazendo as pazes com a minha casa.
Estou revisitando minha cidade. Do meu jeito, conforme a demanda. Nao vim a passeio.
Os caminhos podem ser os mais longos ou os mais congestionados, desde que sejam os mais bonitos. Preciso disso.
Tarde empanturrada de paezinhos de queijo, minissonhos da Ceci e filme tolo com Oli, no Paraiso. Delicia.
Passei, no inicio da noite, pelo acesso para a Republica do Libano. Ibira.
O transito cruel me fez lembrar recomendaçoes de Ferreira Santos: paradas estrategicas.
Comprei isqueiros, salada de frutas e vitamina de clorofila. Agora sim, a passeio.
Fazendo as pazes com a minha casa.
01 maio, 2006
27 abril, 2006
12 abril, 2006
Coisas do nada.
Manhã de sábado, eu estava na cama lendo, quando me deu vontade de comer algo diferente.
Foi quando me lembrei de um episódio ocorrido há mais de 10 anos, no trabalho.
Um diretor de arte safado, notório comedor de gente, tinha uma namorada.
Uma candura de pessoa. Viviam brigando.
Quando a coisa era feia, a inocente mandava doces, no melhor esquema [abre aspas] volta, amor [fecha aspas]. Só coisa fina.
Numa tarde corriqueira, senti fome. Saí de baia em baia buscando algo mastigável.
- E aí? Tudo certinho? Tudo bem com a patroa? Resolveram aquele lance?
- Tudo na santa paz.
- Cê não quer ligar pra ela e puxar uma briga boa?
- ????
- Tô com fome. Liga lá, vá.
Não que eu torcesse pela desarmonia entre o casal e, todos sabem, nem sou de doce. Mas ela sempre mandava docinhos da Cristallo, pô.
Manhã de sábado, eu estava na cama lendo, quando me deu vontade de comer algo diferente.
Foi quando me lembrei de um episódio ocorrido há mais de 10 anos, no trabalho.
Um diretor de arte safado, notório comedor de gente, tinha uma namorada.
Uma candura de pessoa. Viviam brigando.
Quando a coisa era feia, a inocente mandava doces, no melhor esquema [abre aspas] volta, amor [fecha aspas]. Só coisa fina.
Numa tarde corriqueira, senti fome. Saí de baia em baia buscando algo mastigável.
- E aí? Tudo certinho? Tudo bem com a patroa? Resolveram aquele lance?
- Tudo na santa paz.
- Cê não quer ligar pra ela e puxar uma briga boa?
- ????
- Tô com fome. Liga lá, vá.
Não que eu torcesse pela desarmonia entre o casal e, todos sabem, nem sou de doce. Mas ela sempre mandava docinhos da Cristallo, pô.
O que você tem por dentro?.
Recebi por e-mail: oferta de uma balança que mede gordura e líquido.
O texto é um primor.
[abre aspas, reticências] Com o sistema de bioimpedância, que emite uma corrente elétrica pelos pés para aferir taxas corporais de gordura e líquido, você visualiza com detalhes o que realmente compõe seu corpo. [reticências] É seu espelho por dentro.[fecha aspas]
Não vou nem falar o que eu pensei na hora.
Recebi por e-mail: oferta de uma balança que mede gordura e líquido.
O texto é um primor.
[abre aspas, reticências] Com o sistema de bioimpedância, que emite uma corrente elétrica pelos pés para aferir taxas corporais de gordura e líquido, você visualiza com detalhes o que realmente compõe seu corpo. [reticências] É seu espelho por dentro.[fecha aspas]
Não vou nem falar o que eu pensei na hora.
Agora vai.
Ontem, eu fui. Primeiro dia pra valer. Circuito completo. Trabalho pesado. Animador recomeçar com a mesma carga de quando eu parei, em agosto passado.
Incrível como melhora a qualidade de sono.
Dormi como uma rocha.
Acordei como uma pedra: dura. Sem conseguir dobrar os braços.
Hoje, faltei. O dever me chamou e tive que ficar de plantão. Antes assim.
Em vez de carregar, fui ganhar peso. Almocei bem.
Incrível como a qualidade do apetite também melhora.
Pra noite, a previsão é chá de ursinho. Na veia.
Amanhã eu vou.
Ontem, eu fui. Primeiro dia pra valer. Circuito completo. Trabalho pesado. Animador recomeçar com a mesma carga de quando eu parei, em agosto passado.
Incrível como melhora a qualidade de sono.
Dormi como uma rocha.
Acordei como uma pedra: dura. Sem conseguir dobrar os braços.
Hoje, faltei. O dever me chamou e tive que ficar de plantão. Antes assim.
Em vez de carregar, fui ganhar peso. Almocei bem.
Incrível como a qualidade do apetite também melhora.
Pra noite, a previsão é chá de ursinho. Na veia.
Amanhã eu vou.
07 abril, 2006
Fitness ? Terceira temporada.
Comecei a academia na hora do almoço.
Acho essa coisa de começar na 2a é o princípio da derrota.
Primeiro dia é sempre chato. Instrutor analisa sua ficha, analisa seu corpo pra conferir o tamanho do estrago e fica mais de meia hora escrevendo sua sentença, enquanto você fica na bicicleta, assisitindo à TV sem som.
Hoje fiz uma série reduzida, depois de 8 meses e ócio. Incrível como a musculatura volta a responder rápido. Parece que tem memória.
Desta vez, vou até o fim. Só largo a academia quando voltar definitivamente pra casa.
Não é uma promessa. É um propósito.
Comecei a academia na hora do almoço.
Acho essa coisa de começar na 2a é o princípio da derrota.
Primeiro dia é sempre chato. Instrutor analisa sua ficha, analisa seu corpo pra conferir o tamanho do estrago e fica mais de meia hora escrevendo sua sentença, enquanto você fica na bicicleta, assisitindo à TV sem som.
Hoje fiz uma série reduzida, depois de 8 meses e ócio. Incrível como a musculatura volta a responder rápido. Parece que tem memória.
Desta vez, vou até o fim. Só largo a academia quando voltar definitivamente pra casa.
Não é uma promessa. É um propósito.

Abra a boca e feche os olhos.
Fiz avaliação na academia, logo cedo.
Fiquei de dp em física, é claro.
Preciso ganhar 6 e não 5 kg de massa magra. O apelido Bandeira de Pirata procede.
Isso não quer dizer que eu deva sair por aí comendo o que quiser. Eu não quero massa gorda. Tenho, sim, que abusar do consumo de proteínas magras. Equilibrar a dieta, não estressar e malhar. Vai dar trabalho.
Hoje penso que planejar a perda de 5kg, em 2004, foi mais fácil. Boca fechada. Em dois meses de malhação, ficou tudo no jeito.
Perder é mais fácil do que ganhar. Como tudo na vida, sem trocadilho.
06 abril, 2006
Coisa feita.
Acordei saltitante. Tirei alguns objetos da varanda e deixei tudo no jeito.
Fui entregar a chave pro Cosme (o Damião tava atrasado) e a casa caiu: a empregada do andar de cima faltou ontem, de modo que eles não puderam realizar o serviço na unidade. Sem isso, não adianta consertar meu teto. Só semana que vem.
Eu que tinha feito tantos planos.
Isso já tá parecendo piada. Ou virando novela.
Acordei saltitante. Tirei alguns objetos da varanda e deixei tudo no jeito.
Fui entregar a chave pro Cosme (o Damião tava atrasado) e a casa caiu: a empregada do andar de cima faltou ontem, de modo que eles não puderam realizar o serviço na unidade. Sem isso, não adianta consertar meu teto. Só semana que vem.
Eu que tinha feito tantos planos.
Isso já tá parecendo piada. Ou virando novela.

Só pano e osso, não!
Lá vou eu de novo. Minha Kipling sai dos aposentos e volta a exercer sua função original, embora já tenha feito frilas inesquecíveis como bagagem de mão.
De agora em diante, a tarefa é descansar carregando pedra, entre 13 e 14h.
Puxar ferro para tornear a carne, desopilar as vísceras e relaxar o coração. A meta é resgatar
os 5 kg de massa muscular que tão em falta.Voltarei a fazer sombra.
Minha alma tá muito agradecida. :O)
05 abril, 2006
Eu amo o Jake.
Ambientação: pai, empregada e avó discutindo se o tio está usando drogas, já que tem apresentado comportamentos estranhos.
Avó despirocada: - O ecstase causa efeitos afrodisíacos incríveis.
Todos: = 0
Avó despirocada emenda: - Me disseram.
Jake: Você tem que dizer efeitos afro-americanos-disíacos. É o correto hoje em dia.
:O)
Ambientação: pai, empregada e avó discutindo se o tio está usando drogas, já que tem apresentado comportamentos estranhos.
Avó despirocada: - O ecstase causa efeitos afrodisíacos incríveis.
Todos: = 0
Avó despirocada emenda: - Me disseram.
Jake: Você tem que dizer efeitos afro-americanos-disíacos. É o correto hoje em dia.
:O)
04 abril, 2006
Objeto transicional.
As roupas ainda não foram pra lavanderia, mas já estão separadas e devidamente ensacadas. Apenas uma blusa, ainda impregnada com notas de incenso, suor e óleo de buriti ficou de fora. Assim como Mônica tem o seu Sansão e Linus, o seu cobertorzinho, aquela blusa está sob meus travesseiros para eu relembrar aquele aroma nos momentos de saudade.
Boas sensações ele me traz ;O).
As roupas ainda não foram pra lavanderia, mas já estão separadas e devidamente ensacadas. Apenas uma blusa, ainda impregnada com notas de incenso, suor e óleo de buriti ficou de fora. Assim como Mônica tem o seu Sansão e Linus, o seu cobertorzinho, aquela blusa está sob meus travesseiros para eu relembrar aquele aroma nos momentos de saudade.
Boas sensações ele me traz ;O).
Carapanãs diários.
Apurrinhações domésticas sempre vão existir. Eu sei. Não tem pra onde correr.
Mas na briga com os leões, deixei escapar algumas obrigações básicas, como lembrar de pagar conta de luz, IPTU, mandar as roupas pra lavanderia, etc, etc. E a burra foi ao banco, ao lado da lotérica, ontem e esqueceu de levar os boletos. Fui hoje, de novo. Não adianta dizer: débito automático, internet e as demais facilidades da tecnologia moderna. Meu banco não aceita, Só lotérica.
Calma. Nem doeu. Se bem que uma secretária particular pra tratar desses assuntos não seria nada mau. Prometo que eu nem iria bater nela com o telefone e ir parar na delegacia.
Apurrinhações domésticas sempre vão existir. Eu sei. Não tem pra onde correr.
Mas na briga com os leões, deixei escapar algumas obrigações básicas, como lembrar de pagar conta de luz, IPTU, mandar as roupas pra lavanderia, etc, etc. E a burra foi ao banco, ao lado da lotérica, ontem e esqueceu de levar os boletos. Fui hoje, de novo. Não adianta dizer: débito automático, internet e as demais facilidades da tecnologia moderna. Meu banco não aceita, Só lotérica.
Calma. Nem doeu. Se bem que uma secretária particular pra tratar desses assuntos não seria nada mau. Prometo que eu nem iria bater nela com o telefone e ir parar na delegacia.
03 abril, 2006
Retrocesso aparente.
Tava indo tudo tão bem.
Tarefas agendadas para o sábado: chamar Cosme e Damião para reforma na varanda, conversar com o cara da nova hospedagem de Godzila à tarde, colocar as leituras em dia, escrever um pouco e terminar a arrumação do armário da sala.
Só que na quinta-feira, minha agente de viagem, no caso, fada madrinha me ligou.
Descontos nas passagens aéreas de até 84%, válidos apenas para sábado e domingo.
Meu olho cresceu.
Com um descontaço desse seria o caso de pegar cadeira de praia, garrafa térmica, pacote de Cheetos, palavras cruzadas e amanhecer na porta da loja.
No sábado, acordei tardão. Tava cansada. Porém, às 14h30 eu já tinha minha senha em mãos.
Tarefa ninja. Quase 4 horas na fila dos pobres. Uma espécie de SUS dos turistas nacionais.
Suponha que você pague habitualmente pela ida (note, só pela ida) R$100,00. Pois, na promoção, a passagem de ida e volta custou R$ 30,00.
Por esse preço dava pra fazer estoque para o calendário anual de feriados prolongados. Não é mais o caso.
Optei pelo que me pareceu mais sensato e as tarefas agendadas ficaram pra depois.
O que você faria no meu lugar?
Ficaria em casa vigiando pedreiro?
Tava indo tudo tão bem.
Tarefas agendadas para o sábado: chamar Cosme e Damião para reforma na varanda, conversar com o cara da nova hospedagem de Godzila à tarde, colocar as leituras em dia, escrever um pouco e terminar a arrumação do armário da sala.
Só que na quinta-feira, minha agente de viagem, no caso, fada madrinha me ligou.
Descontos nas passagens aéreas de até 84%, válidos apenas para sábado e domingo.
Meu olho cresceu.
Com um descontaço desse seria o caso de pegar cadeira de praia, garrafa térmica, pacote de Cheetos, palavras cruzadas e amanhecer na porta da loja.
No sábado, acordei tardão. Tava cansada. Porém, às 14h30 eu já tinha minha senha em mãos.
Tarefa ninja. Quase 4 horas na fila dos pobres. Uma espécie de SUS dos turistas nacionais.
Suponha que você pague habitualmente pela ida (note, só pela ida) R$100,00. Pois, na promoção, a passagem de ida e volta custou R$ 30,00.
Por esse preço dava pra fazer estoque para o calendário anual de feriados prolongados. Não é mais o caso.
Optei pelo que me pareceu mais sensato e as tarefas agendadas ficaram pra depois.
O que você faria no meu lugar?
Ficaria em casa vigiando pedreiro?
31 março, 2006
Horizontes ampliados.
Ontem, ao chegar em casa, encontrei o chefe de Cosme e Damião no elevador. Foi dado o veredito: a responsa é do morador do andar de cima. O cara vai comprar tinta e rejunte, e o condomínio vai bancar a mão-de-obra. É só marcar o dia e reservar 10 reå pra Cosme e Damião porque eles são gente boa pra caramba.
Minha varanda vai voltar a ser transitável e, cá entre nós, aquele teto tava precisando de uma geral faz tempo.
Esse leão tá com os dias contados.
Ontem, ao chegar em casa, encontrei o chefe de Cosme e Damião no elevador. Foi dado o veredito: a responsa é do morador do andar de cima. O cara vai comprar tinta e rejunte, e o condomínio vai bancar a mão-de-obra. É só marcar o dia e reservar 10 reå pra Cosme e Damião porque eles são gente boa pra caramba.
Minha varanda vai voltar a ser transitável e, cá entre nós, aquele teto tava precisando de uma geral faz tempo.
Esse leão tá com os dias contados.
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