By Fabio Rex
Daqui
Comprei meigas baguetinhas salpicadas de parmesão, que a
gente também adora.
Na padoca da esquina.
Ciça-Mãe amou.
Entendam, eu sempre confundi Caim com Abel, nunca soube
quem matou quem até hoje.
Segundo Noel, o chute no balde é de caráter
irrevogável, num adianta legião de fãs mandando
recadinho e tal.
Game over.
Oasis acabou.
Fiquei tristinha.
Olívia também.
Encontrei Conhecida quando eu estava no buffet de sobremesas
e ela começava a se servir de sopa de cenoura. Ela me
perguntou no que eu trabalho atualmente.
Contei que chutei baldes na minha vida e hoje faço o que
eu faço.
Conhecida contou, com certo ar de enfado, o que faz (eu
entendi perfeitamente a razão do seu enfado) e a conversa
ficou por isso mesmo.
Voltei pra minha mesa, onde retomei uma conversa animada com
a D. , diretora de arte, dupla de criação.
Na hora de ir pra fila da conta, passei por Conhecida
novamente, que estava na fila da sobremesa.
Foi aí que Conhecida mandou a bomba do século:
- Aquela menina que sempre almoça com você é sua
filha?
- What? Qual menina? Oi? , pensei.
- Não, eu respondi numa espécie de murmúrio, quando
fomos interrompidas pela chegada triunfante de D.
E ficou aquela situação completamente besta.
Conhecida tentou consertar: - É que vcs duas têm um
jeito tããão parecido.
- É que a gente trabalha muito tempo juntas, tipo 10, 14
horas por dia, exagerei. Uma acaba pegando o jeito da outra.
É normal. Né? (e sorri o sorriso mais imbecil do
universo).
Conhecida tentando (ou não) consertar o inconsertável,
detonou o seu tiro de misericórdia:
- É que ela (no caso, a D.), olhando de longe, parece ser
beeem mais jovem do que é.
- Que bela segunda chance de ficar calada, você perdeu,
Conhecida, pensei eu.
No caminho de votla à agência, ideias começaram a
pipocar em
minha mente mortalmente ofendida e passei a dividi-las com
minha colega e dileta amiga.
Primeiro, blasfemei contra minha imperdoável ausência da
tal
presença de espírito.
No caso, de porco.
Na hora, eu poderia ter respondido, por exemplo:
- Sim, a D. é minha filha. Engravidei quando eu tinha 9
anos.
Virei estudo de caso, apareci na TV com tarja nos olhos, voz
distorcida e tudo. Foi divertido.
- Não. Somos gêmeas. Só que eu nasci um pouquinho
antes.
- Ora, que cabeça a minha, me perdoe, Conhecida. D. é
minha mãe. Ela é tipo Gloria Maria, sabe? Se alimenta de
ninho de passarinhos exóticos e toma 60 cápsulas de
vitaminas por dia pra ficar assim eternamente. Não é
incrível?
Ou a D. poderia ter respondido:
- Não é a mamãe, não é a mamãe!!!
- Você quer o cartão do meu dermatologista? Um
binóculo?
- De perto ninguém é normal, querida. E de longe
também não, ahuahuahua!!!!
Notem que as possibilidades da mais pura diversão eram
infinitas.
Que belas chances perdemos, não foi?
- Final de tarde da sexta-feira, ser convocada, com toda
equipe a comparecer à sala de reunião. Champagne gelada.
- Cheers! [lagriminhas, minhas]
(Prazer Incomensurável!, diria meu finado Prof.
Poropopó-Bambalalão)
I love it. : )
- Cortar o cabelo, no Visage, início de tarde daquele
sábado passado, gélido e chuvoso.
- Encontrar Fada das Navalhas e Tesouras e sua Fiel
Escudeira morrendo de saudades de mim e da minha filha.
(oumm)
- Ser abraçada por uma criatura deliciosa, outro ser das
Navalhas e Tesouras, que sempre faz questão de parar tudo
que está fazendo, apenas pra dar um oi pra irmã da
Olívia. (no caso, eu ; )
- Passar uma tarde maravilhosa com eles, a despeito das
condições climáticas:
tomando capuccinno quentinho, falando bobagem e lendo
revista de fofoca. Era tudo que eu precisava.
- Sair do salão com a sensação de que o corte ficou
per-fei-to. Ficamos apenas de acertar a cor, num futuro
muito próximo. O que torna tudo bem mais divertido.
- Ir à Brunella pra comer docinho e tomar café, mãe e
filha juntas, só pra resmungar da vida, que não tá
fácil pra ninguém.
- Encontrar minha mãe, minha filha, minha família, no
domingo. Vitórias importantes, o melhor ainda virá.
A pergunta que não quer calar é: esse frio do demônio
vai embora quando mesmo?
Tenho saudades dos meus braços, sabe?
É sério.
Comecei no trampo novo, logo no começo de junho.
A gente já tá, a passos largos, rumo ao final de julho.
Não me lembro de, um dia sequer, eu ter ido trabalhar com
uma blusa que não fosse de manga comprida. É sério.
Tenho saudades sinceras dos meus braços.
Tanto do direito, quanto do esquerdo.
Ultimamente, só os vejo quando tomo banho.
E mesmo assim, bem rapidinho. Eu morro de frio.
Aposto que isso ocorre com você também.
Na boa, isso não é vida.
Né?
Eu odeio esse frio.
Hora marcada com minha fada das tesouras e navalhas para
muito em breve. Compromisso inadiável com o espelho. Não
aguento me ver assim.
Quero novo corte, quiçá nova cor, para combinar com meus
novos planos de incendiar o mundo.
Talvez eu volte a ser ruiva. A ideia me agrada.
Este frio está me matando. Não tenho mais roupa pra
vestir. É sério. Nesta semana, tive que comprar, pelo
menos, uma camisa linda e uma blusa de lã colorida. Não
comprei nada, inverno passado.
Adoro o aroma da sopa quase natural de abóbora que invade
e, de certa forma, aquece minha casa agora. Eu não tinha
percebido o quanto um fogão de verdade estava me fazendo
falta.
Ainda não testei os recursos do forno. Talvez eu prepare
meus famigerados tomates assados, reserva especial, para a
grande estreia não marcada.
Bobagem.
Dia 17 fez dois anos que parei de fumar. \O/
Dia 19, três anos que voltei definitivamente para São
Paulo.
Parece que foi ontem.
Se bem que, não.
Não mesmo. Apenas passou muito rápido.
Apenas isso. Só eu sei. :p
E não é que a sopa de abóbora ficou perfeita?
:)
E se eu tentasse sonhar aquele sonho novamente? Aquele, de
ontem.
HS me contando aquelas coisas, tipo segredo. E declarando
coisas indefinidas.
Custa nada tentar.
Adoraria.
Não consegui visualizar Fulano, o tartarugo tiozão,
partindo pra ignorância. Sinceramente.
Mas como nem tudo é só desgraça ou leseira por aqui,
fomos, quatro amigos, almoçar no tchaina mais próximo.
Nesse ponto, não teve nem mais nem menos.
O rolinho primavera era tão leve e tão delicado, que
chegava a me gerar arrependimento profundo por ter pedido
apenas uma unidade.
A certeza absoluta é que eu nunca devorei um porco
agri-doce (hífen, ainda?) tão perfeito, na textura e no
equilíbrio dos sabores.
Amei a cozinha chinesa do Haudy.
[www.haudy.com.br]
Hoje, fui com a D. conhecer o restaurante natureba local.
Roteiro obrigatório, sempre.
Explorar as potencialidades de um restaurante natureba local
é tão necessário e instrutivo quanto a igreja matriz e
a padoca da avenida.
Sou muito ligada às tradições, vocês sabem.
Comi arroz integral; feijão de corda; couve-flor, batata e
maçãs gratinadas; vagem, nori e moyashi ao garam
massala. Os caras são xiitas.
Porém, tudo com um quê meio indefinido e quase nada de
sabor ou sal.
Os ingredientes não conversavam entre si.
Nem se davam muito ao trabalho de brigar.
A indiferença apenas foi rompida pelo valor do prato:
inexplicáveis R$20,00.
A grata surpresa foi conhecer o empório que habita o mesmo
recinto.
Coisas bem interessantes, como a linha de sorvetes Mel.
Fiquei especialmente inclinada em adquirir um pote de 750 ml
do sabor avelã e cacau, na próxima visita. (apenas ao
empório ;)
Massas secas bem interessantes, orgânicos frescos,
docinhos sedutores, chazinhos meigos.
Vez ou outra você se depara com um precinho razoável.
Fiquei especialmente encantada por uma espécie de miojo
naturebaço, feito com nissim integral, zero trans,
blá-blá e, pasmem, tempero sabor funghi. (!!)
Comprei um exemplar apenas para conferir do que se trata.
Missão científica e de paz.
No moleskine ficou anotado, então:
X & X - potencialmente um ótimo empório.
Almoce na padoca.
Conto o resultado do miojo pseudamente naturebaço, assim
que possível.
Funghi liofilizado é piada da indústria, né?
Adorei o raciocínio/ousadia dos caras.
Sem falar que a embalagem é fofa.
Tá.
Vou dormir.
Silêncio.
É, vamos considerar que eles ainda não entenderam
direito com quem estão lidando. Ou se recusam a.
Cada enxadada, uma minhoca, diria meu avô.
Tem sido assim, os dias.
Benza. :)
No próximo findi, vou lá pras bandas da rua Maria Paula
comprar apetrechos
para a minha cozinha.
O Ventilador vai ficar pequeno pra tanto assunto.
(cof, cof, cof)
A chegada das férias de julho tem sido um respiro salutar
na minha rotina pela cidade. Nunca mais levei duas horas
para voltar pra casa.
Quarenta minutos, hoje, significam dois palitos.
Literalmente.
Deveria ficar assim pra sempre.
Fui convidada a fazer revisão de estilo da autobiografia
de uma psicoterapeuta.
Só o convite já foi uma honra.
E daí o Kassab quer acabar com a circulação dos
ônibus fretados.
A ideia do palhaço é entupir ainda mais as vias
públicas de carros, eu suponho.
Errei?
Theo Becker era o cara.
Só a Record não conseguiu enxergar. :p
Sexta-feira passada, 6h42 da madruga fria, av. 23 de Maio,
sentido centro.
[Velvet Morning na caixa]
- Mãe, eu queria tanto ir a um show do The Verve
(suspiros)
- Se eles tivessem o hábito de fazer algum, facilitaria um
bocado. Concorda?
- Mãe, na Inglaterra eles fazem mais shows que o Chiclete
com Banana.
- Também não precisa esculhambar desse jeito. Chiclete
com Banana foi sacanagem com os caras.
[sobe trilha e encerra]
Podia ser pior. Pensa. :)
Olívia tem demonstrado progressos surpreendentes à
direção.
No entanto, meus freios imaginários talvez já estejam
precisando de pastilhas imaginárias novas.
Eu ainda sofro muito, concretamente.
Coisa de mãe. Vai passar, eu sei.
Ela tá se saindo muito bem.
Silêncio.
- Pergunta pro Fulano se ele quer fazer um frila e gastar
munição numas pombas que resolveram morar lá em casa,
disse calmamente outro colega.
Então você deve estar perguntando: - Ana, como é que
você tem essa capacidade de sempre trabalhar em lugar que
só tem figuraça desse naipe?
Ao que certamente eu vou responder: - Deve ser a tal da lei
da atração, mano. Só pode.
- Mãe, e o Dr. S. tá bem?
- Nesta semana, completamos 32 anos de namoro. Acredita?
- Acredito que talvez este seja o namoro mais longo da
história da humanidade.
- E ele nunca me pediu em casamento.
- Mãe, tá na cara. Esse cara tá te enrolando, cai
fora. :)
Ciça-Mãe tem 77.
Dr S., 88.
Namoram há 32 anos.
Sabe-se lá por quanto tempo se paqueraram.
Acho linda essa história.
Não fiz simpatia pra Santo Antonio. Nem fiquei triste no
dia 12.
Preguiça foi o meu principal pecado.
Apenas ensinei minha filha a preparar risoto com alguns
segredos que eu nunca conto a ninguém. Ela aprendeu.
E, ó, o evento foi um sucesso. Eu soube.
De vez em quando eu acerto.
Bem de vez em quando.
Ontem/antesdontem, 13, foi niver da minha madrinha.
Mulher mais fofa e querida do mundo, ela.
Amo-a de paixão.
Hoje/ontem, 14, teve almoção em família pra comemorar.
De presente, comprei uma mantinha azul total e igualmente
fofa, daquelas que a gente adora usar pra se cobrir no
sofá, enquanto vê TV, degustando uma sopinha de pacote
ou sucrilhos kellog´s com leite ou mingau de farinha
láctea ou brigadeiro de colher.
Confort food.
I love it.
Eu sei que ela também ama ver TV assim.
: )
Amanhã/hoje, eu vou tomar caldinho de abóbora com
linguiça, enquanto espero a hora do rodízio passar, lá
no Gogó da Ema. Ou talvez eu arrisque o de cebola. Se bem
que aquele de mandioquinha com polenguinho.
Estou achando muito divertida a ideia de ter um local pra me
ancorar do lado de lá da ponte, até o trânsito insano
da cidade se acalmar.
Não tenho conseguido chegar em casa cedo.
Horas parada no trânsito pra voltar.
Horas. Muitas horas. Quase duas é muito.
Mas chega também de falar de comida.
Tenho falado demais.
Acho que estou com frio.
Melhor eu dormir um pouco.
Tentar, pelo menos.
Eu queria tanto conseguir voltar a dormir demais.
Tá.
Além da preguiça, a gula tem sido um pecado também.
Se bem que rola uma ira importante, de vez em quando.
Aliás, a ira é o meu pecado predileto. Adoro.
Talvez por isso eu não consiga dormir.
Será?
;)
*****
Ontem, eu e Olívia fomos almoçar na casa da
Ciça-Mãe.
Detalhe: ela foi dirigindo.
E eu fui o caminho todo pisando em ovos e no meu freio
imaginário.
Emoções fortes, viu?
Olívia tem pé de chumbo. Não sei a quem puxou, essa
menina. : )
*****
Sábado, eu fui às compras.
Investi em bolsas. Só pra variar.
Tô que não me aguento de alegria.